Pensar a comunicação descentralizada esta diretamente ligada a romper com as amaras pensadas pelas grandes empresas no grande latifúndio que é o território digital da internet.

O racismo foi pensando de forma minuciosa, e sobretudo pode ser percebido na internet, onde quase tudo é feito e resolvido, informações compartilhadas, nos viciaram em dopamina, trocaram as estratégias. podemos perceber a disparidade nesse território quanto ao uso entre pessoas pretas e brancas.

Por exemplo: a população brasileira é de aproximadamente 196,7 milhões e somente 94,2 milhões utiliza a internet, sendo que aproximadamente 125 milhões não tem esse privilegio. Entre os 10% mais pobres, apenas 0,6% tem acesso à Internet; entre os 10% mais ricos, esse número é de 56,3%, diferença descarada. Somente 13,3% do povo preto usam a Internet, duas vezes menos que os brancos que é (28,3%). Os índices de acesso à Internet das Regiões Sul (25,6%) e Sudeste (26,6%) contrastam com os das Regiões Norte (12%) e Nordeste (11,9%).

O analfabetismo é bastante caro para as comunidades de terreiros, quilombolas, tradicionais como está se dando essa utilização da internet, uma vez que esse distanciamento é parte estratégica do processo genocida do racismo moderno. Pensado que as tecnologias mais divulgadas para os usuários comuns são de certo comparados a imposição escravista. diante da internet historicamente acontece uma guerra pelo controle e por quem domina todo esse espaço de comunicação e entretenimento. Para ter acesso a internet precisa ter acesso a um computador, economicamente pensando para estar longe das possibilidades dos povos e comunidades tradicionais, quais são os sistemas operacionais instalados nos computadores adquiridos pelos povos e comunidades tradicionais? os que estão conectados, como estão utilizando? essas grandes empresas que compartilham de praticas genocidas, limitaram e nos condicionaram a uma colonização inclusive no meio digital

O Gbara Dudu nasce no Maranhão no terreiro Ile Axé Alagbede Olodumare, que é liderado pela Yalorisa Venina D'Ogum,idealizado pelo Ogam Mil Onilètó como um espaço de convivência pan-africanista com enfoque na apropriação tecnológica e introdução a software livre gnu linux, e busca desmitificar a distancia que foi imposta para o povo e comunidades tradicionais e de matriz africana em diáspora tendo como propósito, instrumentalizar e difundir uma utilização crítica da informática e meios tecnológicos. Seguindo os ideais palmarinos e garveista, encontra no pan-africanismo a forma de luta na busca da re apropriação do território digital, descolonização desse formato embranquecido e aprisionador em um mundo proprietário (windows) onde só o ganho capitalizado/Embranquecido está em jogo.

Tecnologia pensada a parti da ótica de Zumbi dos Palmares "Vamos Fazer um mundo mais do nosso jeito" descolonizar os usos das tecnologias de comunicação através de apropriação de tecnologias já criadas, adequando à nossas necessidades, reconhecendo nossas especificidades e sobre tudo que o povo preto e indígenas são exímios produtores de tecnologias sociais, complexas e seguras, paltadas na liberdade e segurança, numa época que tudo ocorre no meio digital, perceber que as tecnologias assemelham-se aos grandes latifúndios,mostrando-se essencial que tenhamos controle total de nossas o formações. Perceber os tambores, os sonhos, as folhas como avançadas tecnologias. A ideia central é aproximar a tecnologia a nossas prática ancestrais, sem molestar nossas raízes.

Facilmente podemos entender o “Tambor” como a primeira internet do mundo. Quando os pretos africanos usavam seus instrumentos para se comunicarem entre si e entre vilarejos diferentes, o tambor realizava o papel de rede de comunicação, sendo comparado ao que temos hoje como (wan, lan e man) como são conhecidas os tipos de rede de comunicação das redes de computadores. Os toques podem ser entendidos com as mensagens mandadas de tambores para tambores, os toques que os tambores emanam ecriptografados com a possibilidade que um “decodificador” um mestre ancião ou griot, que faria esse tradução de códigos musicas em linguagens humanas. As informações que ficavam escondidas por traz da mensagem e o povo consegue entender depois de descriptografadas pelos mestres portadores desses conhecimentos, daí podemos ter uma usabilidade de todo os meios humanos por traz dos dados que os tambores nos proporcionam. Dessa forma encontramos uma rede de comunicação sem fio, com capacidade de conectar a comunidade além de tocar a alma do povo que faz parte dessa rede de comunicação, mesmo que só como receptor de todo os dados finais do processo de decodificação. Entender esse processo de comunicação cultural como importante tecnologia social, da forma que suas expressões acontecem sem se desprender das riquezas ancestrais, e atribuir valores reais, que nossas praticas merecem ser entendidas, como algo altamente tecnológica, a parte importante de um território digital, que precisa ser ocupado pelo povo preto, uma vez que nossas praticas estão sendo grilados, no sentido de ser tomados diante das nossas comunidades. O processo de embranquecimento cultural pode ser observado nas praticas maranhense, motivos de alerta para nosso povo.

pensadas como alternativas para as situações angustiante dos sobreviventes em territórios em disputas, silenciados pela ausência de tecnologias plausíveis, como os povos e comunidades que salvaguardam verdadeiros tesouros naturais, poderão se comunicar de forma protetiva e emergente numa ausência de internet ou de ferramentas que lhe atinja as necessidades e especificidades.

Pensando a realidade amazônica, diante dos constantes ataques que o militantes guerreiros da base se comunicação questões sensíveis do seus dia a dia? como manterão a gestão do seu território cartograficamente, se existe uma barreira entre as tecnologias e o povo preto e indígena

O gbara dudu vem apresentar algumas auternativas:

desde de 2010 o O gbara dudu tem realizado rotas de formações em diversos cantos do Brasil com a ideia de leva ao povo, através do (projeto Tambor Hacker Itinerante) ferramentas de comunicação pensadas para a realidade dos povos e suas comunidades, entre elas estão:

wiki portal (ewe.branchable.com)

ferramenta de site colaborativo, que trabalho com controle de versão git e git annex, possibilitando descentralizar o uso do site, permitindo seus usuários terem uma copia exata do portal em seu computador ou celular, aqui é possível fazer um uso offline do portal. subindo ou baixando as informações quando eventualmente conectados a internet.

mapa colaborativo (juventudeativa.crowdmao.com)

Ferramenta de Mapeamento e reportagem colaborativa, onde os moradores poderão criar um mapa afetivo de toda sua comunidade podendo compartilhar reportagens através do preenchimento de um formulário simples, enviando texto, fotos, videos e o mais importante localização exata do relato a ser enviado. para uso de segurança a ferramenta do mapa funciona como uma ouvidoria permanente dos povos e comunidades tradicionais do Brasil, uma vez que é possível criar um rota de alertas em tempo real, redirecionando para organizações e pessoas parceiras, pontos afetivos e relatos mais delicados, uma ferramenta ideal para georeferenciar acontecimentos em comunidades de terreiros, preservando o anonimato e rapidez na circulação da informação, podendo alcançar o resultado de internacionalizar as denuncias, construir planos de manejos, auto demarcação e acompanhamento de politicas públicas e transparência.

radio exu (radioexu.com)

Rede de Rádios nascida a parti da radio beco da cota em São Luis do maranhão tem a proposta de difundir a soberania digital através da radio difusão na web, potencializar a oralidade, aumentar o alcance de historias, contos e ensinamentos ancestrais, contar historias, divulgar trabalhos autorais e dar voz aos povos e comunidades de terreiros da Amazônia Brasileira e mundial. A radio inicialmente foi usada a partir de um único ponto de montagem Impossível não lembrar ativamente dos trabalhos do Taata Kinambogi como o único que em muitos tempos deu ouvido a essas invertidas de hacker macumbeiro, ogam e lutador nato nas criações dessas formas e na possibilidade de ampliar o alcance das ferramentas de comunicação livre entre os povos de terreiro, descentralizando as ferramentas e potencializando os trabalhos de base, nutrir a partir do conhecimento oral o vinculo das comunidades e a internet. Dando a nossa cara e fazendo que as especificidades sejam respeitadas.

cine quebrada (cinema itinerante) A ideia de abrir portas através da 7 arte, contar historia e começar o dialogo aproximando o cinema da comunidade, já que historicamente o espaço do cinema não consegue abraçar a todos. O cine Quebrada foi um dos projetos mais importantes de toda essa historia. arrancador de sorrisos de velhos e crianças, o que trouxe o mais valioso devoluto sonho de continuar fazendo o obvio. por enquanto é só.

Mil Onilètó Ogam, Fazedor de tambor, comunicador popular, entusiasta em Software livre Gnu Linux.