Salve Mestre Eliezer Ajayo um dos grandes guardiões da cultura e tradições dos tambores do Maranhão!

Tambores, contam um história de resistência dos povos africanos e diaspórico, o tambor para os povos não é somente um instrumento musical, ele sintetiza a maior importância da cosmo sensação e cosmo visão tão necessária pra nos conectar cada vez mais com nosso lugar!

São Luis é um território peculiar quando o assunto é tambores, tamanha é a suas importância para repasse das memórias, saberes e fazeres africanos e indígenas, mesmo tendo a lei que obriga o ensino da cultura africana, afrobrasileira e indígenas, foi sim, nossos terreiros, nas diversas manifestação espirituais, os maiores espaços de ensino da cultura e histórias para nossas crianças, e jovens, muito desses repasses são feitos a partir de mestres e mestras, que usam da pedago-ginga e da cultura do encantamento presente nas manifestações que envolve a musica e ritmos dos tambores.

No Maranhão a variedade de tambores, e instrumentos tradicionais de matriz africana e indígena aparecem com muita força mostrando que o estado é um território que guarda uma ampla variedade de memória relacionados a continuidade desses saberes entre os ascendentes e descendentes.

Diante dessa variedade considerável o tambor Batá tem um importância emblemática, uma vez que é o principal instrumento de uma dessas praticas ancestrais africanas, o tambor de mina, sendo possível já perceber pelo nome tambor na referência a essa prática ancestral proveniente dos negro-mina, denominação dada ao negros em condição de escravidão vinda da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12)

Aparecendo em diversas regiões diaspórica o tambor Bata ou Abata como é chamando no maranhão, tendo um função bastante importante de condensar a comunicação do céu com a terra, ligando os homens e mulheres na terra com seus ancestrais, aproximando de seus fieis e nos presenteando com uma linda Cerimônia, ancestral, envolvendo música e dança, essas duas fortes partes são essenciais para espiritualidade afro indígena. Me recuso me referir as praticas ancestrais espirituais africanas e afro indígena como religião, uma vez traduzido de sua língua não África, quer dizer RELIGARE, a religião seguindo essa linha, a religião tem o papel de religar alguém a Deus . Sendo nós povos que não fomos desligados em nenhum momento de nossa história. Mesmo diante de tantas tentativas.

Em Pernambuco é possível encontrar o parentesco ou família, o tambor chamado Ilú Batá, se diferenciando ao Abatá no tamanho e na posição e forma que é tocar, no Maranhão assim como em cuba o instrumento é tocado em posição horizontal, em Cuba os três tambores são chamado de Okónkolo to tambor médio, Iyá o tambor maior , Itótele o menor. Já no Maranhão como é chamado o maior é chamado tambor da mata, e outros dois de tamanhos similares são chamados de guia e contra guia. Ambos os instrumentos são formados por uma caixa de ressonância cilíndrico coberta por couro tendo corpo de madeira ou adaptado para ser feito de outros materiais que permitem a mesma qualidade sonora, como o exemplo do pvc, ou mesmo barriu de madeiras.

Importante perceber o quão importante foi esse processo de readequação dos modos de fazer tambor em situações de ausências desses materiais, foram feitas justas-posições como uma importante estratégia de resistência. Nessas imagens é possível encontrar todo esse conhecimento sendo colocado em prática como uma prática de autonomia financeira, salvaguarda dos saberes e saberes do Doutor dos tambores, o Mestre Eliezer, tem destinado sua vida a continuidade desses conhecimento tão importante para nossa reaproximação com o nosso rico saber ancestral!

Da mesma forma que todos os tambores não possam ser tocados de qualquer forma, a sua fabricação merece a mesma atenção, o fazedor de tambores é escolhido pela memória ancestral para ser o criador do instrumento de comunicação sagrada do povos com os deuses. Quem faz tambores merece respeito e sendo esse ainda, o que ensina novas gerações op valor desse bem histórico afro indígena.

Esse texto ainda é pequeno para expor a seriedade e força dos tambores, uma vez que computador não transmite emoção, sensações, ancestralidade, a força vital que nós move. Ao tempo em que as tecnologias nos afastam de nossas tradições, amplificando as distâncias, otimizando o esquecimento somático dos africanos diaspórico os tambores nos conectam não somente entre os homens, mas com nossos deuses, nossa memória, tendo todos os valores presente no corpo e espírito ancestral de cada africano e diaspórico. Independente do que possamos seguir em quanto ideias, filosofia, crença, política, quando o tambor toca, é involuntária a conecção que esse provoca, é como uma grande rede wifi com dados enviados pelo tambor, e nosso corpo como um computador que se conecta e recebe a vibração dessa comunicação.

Ajude ampliar nossa rede de tambores em sua mais espetacular salvaguarda dos valores civilizatórios africanos.