RSS Atom Add a new post titled:
Programa Quilombismo Digital - Rádio RGB

Salve, salve, galera! Se liga na Rádio Comunitária RBG - Programa Quilombismo Digital😊 Alô, pretaiada, clica no link e nos escute: http://orelha.radiolivre.org:8000/rbg 📱🎧🎶

clouds

📍Todas as terças (20h) tem aquele encontro maroto, gostoso e radical no nosso Quilombo musical com muita música preta, poesia, pedidos musicais, afrofofocas e aquela troca de ideias que todo mundo precisa ouvir! 🤗

Chega mais, vem ouvir e fortalecer a Rádio Quilombismo Digital 💃🏾🕺🏾

Boa semana, família! 🌻

Nenhuma travessia se faz sozinho. Nossos ancestrais sobreviveram se aquilombando em pequenas Áfricas espalhadas pelo mundo! Estiveram juntos por todos os séculos e o que os manteve de pé foi a cultura! Marimba Anin já dizia que nossa cultura é nosso sistema imunológico. Amilcar Cabral, reforçou que a luta pela libertação é, antes de tudo, um ato cultural.

Cultura é, portanto tecnologia de organização e estratégia para reconquistarmos nossa antiga atitude mental, aquela livre da colonização, que edificou grandes civilizações africanas! Cultura é também ato político, demarcação de território, invocação ancestral! Convido vocês para fazer Yanda: que quer dizer rede em kimbundu, língua bantu, concentrada em Angola, Luanda, Bengo, Malaje e Kwanza Norte. Cultura é construção política em rede, com africanos em diáspora (nós) unidos para fortalecer diálogos e ações!

O Kilombismo Digital é um projeto de yanda! É uma rádio comunitária feita por mãos e espíritos pretos!

TODAS AS TERÇAS (20h) tem aquele encontro maroto, gostoso e radical no nosso Quilombo musical com muita música preta, poesia, pedidos musicais, afrofofocas e aquela troca de ideias e papo rero que todo mundo precisa ouvir! 🤗

Chega mais, vem ouvir e fortalecer a Rádio Kilombismo Digital.

Pra ouvir é só acessar o link que está na bio, ativo à partir das 20 h, toda terça! ❤

O coração que primeiro pulsou pra construir esse projeto é o @mill.oni através da CUP - Centro Unificado Pan-Afrikanista. Ele gentilmente me convidou pra ajudar a crescer essa rede. Cabe todo mundo.

Deixem seus pedidos de música nos comentários!

A voz da Argélia

Excelente texto de Frantz Fanon sobre a rádio clandestina Voz da Argélia Livre, da Frente de Libertação Nacional, que lutou de 1954 a 1962 pela independência da Argélia. Fanon é um dos mais importantes teóricos revolucionários de todos os tempos, tendo influenciado o pensamento de brasileiros como Paulo Freire. Seu mais famoso livro é "Os condenados da terra", editado no Brasil pela UFJF.

Esta é a voz da Argélia Frantz Fanon

De "A Dying Colonialism", publicado pela primeira vez em francês em 1959 e em inglês em 1965, traduzido por Haakon Chevalier

Propomos neste capítulo estudar as novas atitudes adotadas pelo povo argelino no curso da luta pela libertação, a respeito de um instrumento técnico preciso: o rádio. Veremos que o que está sendo questionado por trás desses novos desenvolvimentos na vida argelina é toda a situação colonial. Teremos oportunidade de mostrar ao longo deste livro que o questionamento do próprio princípio da dominação estrangeira acarreta mutações essenciais na consciência do colonizado, na maneira como ele percebe o colonizador, em sua condição humana no mundo.

A Radio-Alger, estação de radiodifusão francesa estabelecida há décadas na Argélia, reedição ou eco do Sistema Nacional de Radiodifusão da França a partir de Paris, é essencialmente o instrumento da sociedade colonial e dos seus valores. A grande maioria dos europeus na Argélia possui aparelhos receptores. Antes de 1945, 95 por cento dos receptores estavam nas mãos de europeus. Os argelinos que possuíam rádios pertenciam principalmente à "burguesia desenvolvida" e incluíam vários Kabyles que haviam emigrado anteriormente e voltaram para suas aldeias. A acentuada estratificação econômica entre as sociedades dominantes e dominadas explica em grande parte esse estado de coisas. Mas, naturalmente, como em toda situação colonial, essa categoria de realidades assume uma coloração específica. Assim, centenas de famílias argelinas cujo padrão de vida era suficiente para lhes permitir adquirir um rádio não o adquiriram. No entanto, não houve uma decisão racional de recusar esse instrumento. Não houve resistência organizada a este dispositivo. Nenhuma linha real de contra-cultura, como a que é descrita em certas monografias dedicadas a regiões subdesenvolvidas, demonstrou existir, mesmo após extensas pesquisas. Pode-se assinalar, no entanto - e este argumento pode ter parecido confirmar as conclusões dos sociólogos - que, pressionados com questões quanto às razões dessa relutância, os argelinos freqüentemente dão a seguinte resposta: "As tradições de respeitabilidade são tão importantes para nós e somos tão hierárquicos, que nos é praticamente impossível ouvir programas de rádio em família. As alusões ao sexo,

A eventualidade, sempre possível, de rir na presença do chefe da família ou do irmão mais velho, de ouvir em comum palavras amorosas ou levianas, atua obviamente como um impedimento à distribuição de rádios na sociedade indígena argelina. É com referência a esta primeira racionalização que devemos compreender o hábito formado pelos serviços oficiais de radiodifusão da Argélia de anunciar os programas que podem ser ouvidos em comum e aqueles em cujo curso as formas tradicionais de sociabilidade podem ser demasiado severas. tenso.

Aqui, então, em certo nível explícito, está a apreensão de um fato: os aparelhos receptores não são prontamente adotados pela sociedade argelina. Em geral, recusa essa técnica que ameaça sua estabilidade e os tipos tradicionais de sociabilidade; a razão invocada é que os programas da Argélia, indiferenciados por serem copiados do modelo ocidental, não se adaptam ao tipo estrito, quase feudal, de hierarquia patrilinear, com os seus muitos tabus morais, que caracteriza a família argelina.

Com base nesta análise, técnicas de abordagem podem ser propostas. Entre outros, o escalonamento de emissões dirigidas à família em geral, a grupos masculinos, a grupos femininos, etc. À medida que descrevemos as transformações radicais que ocorreram neste domínio, em conexão com a guerra nacional, veremos quão artificial tal abordagem sociológica é, que massa de erros ela contém.

Já notamos a velocidade acelerada com que o rádio foi adotado pela sociedade europeia. A introdução do rádio na sociedade colonizadora ocorreu a um ritmo comparável ao das regiões ocidentais mais desenvolvidas. Devemos sempre lembrar que na situação colonial, em que, como vimos, a dicotomia social atinge uma intensidade incomparável, há um crescimento frenético e quase risível da nobreza de classe média por parte dos nacionais da metrópole. Para um europeu, possuir um rádio é, naturalmente, participar do ciclo eterno da propriedade pequeno-burguesa ocidental, que se estende do rádio à villa, incluindo o carro e a geladeira. Também lhe dá a sensação de que a sociedade colonial é uma realidade viva e palpitante, com suas festividades, suas tradições ávidas por se estabelecer, seu progresso, seu enraizamento. Mas, sobretudo, no sertão, nos chamados centros de colonização, é o único elo com as cidades, com Argel, com a metrópole, com o mundo dos civilizados. É uma das formas de escapar à pressão inerte, passiva e esterilizante do meio "nativo". É, segundo a expressão do colono, "a única maneira de ainda se sentir um homem civilizado".

Nas fazendas, o rádio lembra ao colonizador a realidade do poder colonial e, por sua própria existência, dispensa segurança, serenidade. A Rádio-Alger é a confirmação do direito do colonizador e reforça sua certeza na continuidade histórica da conquista, portanto, de sua fazenda. A música parisiense, extratos da imprensa metropolitana, as crises do governo francês, constituem um pano de fundo coerente do qual a sociedade colonial extrai sua densidade e sua justificativa. A Rádio-Alger sustenta a cultura do ocupante, separa-a da não-cultura, da natureza do ocupado. A Rádio-Alger, a voz da França na Argélia, constitui o único centro de referência ao nível das notícias. O RadioAlger, para o colono, é um convite diário a não “virar nativo”, a não esquecer a legitimidade de sua cultura. Os colonos nos postos remotos,

Na Argélia, antes de 1945, o rádio como instrumento de notícias técnicas passou a ser amplamente distribuído na sociedade dominante. Então, como vimos, tornou-se tanto um meio de resistência no caso de europeus isolados quanto um meio de pressão cultural sobre a sociedade dominada. Entre os agricultores europeus, o rádio era amplamente considerado como um elo com o mundo civilizado, como um instrumento eficaz de resistência à influência corrosiva de uma sociedade nativa inerte, de uma sociedade sem futuro, atrasada e desprovida de valor.

Para o argelino, porém, a situação era totalmente diferente. Vimos que a família mais abastada hesitou em comprar um aparelho de rádio. No entanto, nenhuma resistência explícita, organizada e motivada foi observada, mas sim uma inexpressiva ausência de interesse por aquele pedaço da presença francesa. Nas áreas rurais e em regiões distantes dos centros de colonização, a situação era mais clara. Ninguém se deparou com o problema, ou melhor, o problema estava tão distante das preocupações cotidianas do nativo que ficou claro para um inquiridor que seria ultrajante perguntar a um argelino por que ele não possuía um rádio.

Um homem conduzindo uma pesquisa durante esse período e que pudesse estar procurando por respostas satisfatórias não conseguiria obter as informações de que precisava. Todos os pretextos apresentados tiveram, é claro, de ser cuidadosamente avaliados. No nível da experiência real, não se pode esperar obter uma racionalização de atitudes e escolhas.

Dois níveis de explicação podem ser sugeridos aqui. Como técnica instrumental no sentido limitado, o receptor de rádio desenvolve as faculdades sensoriais, intelectuais e musculares do homem em uma determinada sociedade. O rádio na Argélia ocupada é uma técnica nas mãos do ocupante que, no quadro da dominação colonial, não corresponde a nenhuma necessidade vital para o "nativo". O rádio, como símbolo da presença francesa, como representação material da configuração colonial, caracteriza-se por uma valência negativa extremamente importante. A possível intensificação e extensão dos poderes sensoriais ou intelectuais da rádio francesa são implicitamente rejeitadas ou negadas pelo nativo. O instrumento técnico, as novas aquisições científicas, quando contêm carga suficiente para ameaçar uma dada característica da sociedade nativa, nunca são percebidos em si mesmos, com calma objetividade. O instrumento técnico está enraizado na situação colonial onde, como sabemos, os coeficientes negativos ou positivos existem sempre de forma muito acentuada.

Em outro nível, como sistema de informação, como portador de linguagem, portanto de mensagem, o rádio pode ser apreendido de maneira especial na situação colonial. A técnica radiofônica, a imprensa e de uma maneira geral os sistemas, mensagens, transmissores de sinais, existem na sociedade colonial de acordo com um estatuto bem definido. A sociedade argelina, a sociedade dominada, nunca participa deste mundo de signos. As mensagens transmitidas pela Rádio-Alger são ouvidas apenas pelos representantes do poder na Argélia, apenas pelos membros da autoridade dominante e parecem magicamente evitadas pelos membros da sociedade "nativa". A não aquisição de aparelhos receptores por esta sociedade tem justamente o efeito de fortalecer essa impressão de mundo fechado e privilegiado que caracteriza o noticiário colonialista. Em matéria de programas diários, antes de 1954, os elogios dirigidos às tropas de ocupação estavam certamente ausentes. De vez em quando, com certeza, poderia haver uma evocação pelo rádio das datas marcantes da conquista da Argélia, no decorrer da qual, com uma obscenidade quase inconsciente, o ocupante depreciaria e humilharia a resistência argelina de 1830 . Também havia as celebrações comemorativas em que os veteranos "muçulmanos" seriam convidados a colocar uma coroa de flores aos pés da estátua do General Bugeaud ou do Sargento Blandan, ambos heróis da conquista e liquidatários de milhares de patriotas argelinos. Mas, no geral, não se poderia dizer que o conteúdo claramente racialista ou anti-argelino explicasse a indiferença e a resistência do nativo. A explicação parece ser que a Rádio-Alger é considerada pelo argelino como a porta-voz do mundo colonial. Antes da guerra, o argelino, com seu próprio humor, definia a Rádio-Alger como "franceses falando com franceses".

1945 trouxe a Argélia abruptamente para o cenário internacional. Durante semanas, as 45.000 vítimas de Setif e de Guelma (2) foram motivo de abundantes comentários em jornais e boletins de informações de regiões até então desconhecidas ou indiferentes ao destino da Argélia. A tragédia de seus irmãos mortos ou mutilados e a fervorosa simpatia transmitida a eles por homens e mulheres na América, Europa e África deixaram uma marca profunda nos próprios argelinos, prenunciando mudanças mais fundamentais. O despertar do mundo colonial e a progressiva libertação de povos há muito subjugados envolveram a Argélia num processo que a ultrapassou e do qual, ao mesmo tempo, se tornou parte. O aparecimento de países árabes libertados neste ponto é de excepcional importância.

Após 1947-1948, o número de rádios cresceu, mas a uma taxa moderada. Já então, o argelino ao ligar o rádio se interessava exclusivamente por programas estrangeiros e árabes. A Rádio-Alger era ouvida apenas porque transmitia música tipicamente argelina, música nacional. Diante desse mercado argelino em ascensão, as agências europeias começaram a procurar representantes "nativos". As firmas europeias estavam agora convencidas de que a venda de aparelhos de rádio dependia da nacionalidade do revendedor. Os intermediários argelinos eram cada vez mais solicitados para lidar com rádios. Essa inovação no sistema de distribuição foi acompanhada por uma intensificação da comercialização desses conjuntos. Foi nesse período que uma parte da classe média baixa argelina tornou-se proprietária de rádios.

Mas foi em 1951-1952, por ocasião das primeiras escaramuças na Tunísia, que o povo argelino sentiu necessidade de aumentar a sua rede de notícias. Em 1952-1953, o Marrocos empreendeu sua guerra de libertação e, em 1º de novembro de 1954, a Argélia ingressou na Frente do Magrebe anticolonialista. Foi justamente nessa época, durante a aquisição dos aparelhos de rádio, que ocorreu o desenvolvimento mais importante na definição de novas atitudes a essa técnica específica de divulgação de notícias.

Foi a partir da reação dos ocupantes que o argelino soube que algo grave e importante estava acontecendo em seu país. O europeu, por meio da tripla rede de imprensa, do rádio e de suas viagens, tinha uma ideia bastante clara dos perigos que ameaçavam a sociedade colonial. O argelino que leu no rosto do ocupante a crescente bancarrota do colonialismo sentiu a necessidade imperiosa e vital de ser informado. A vaga impressão de que algo fundamental estava acontecendo foi reforçada tanto pela decisão solene dos patriotas que exprimia o anseio secreto do povo e que personificava a determinação, ainda ontem desprovida de conteúdo, de existir como nação, e mais especialmente pela objetivo e visível esfacelamento da serenidade do colono.

A luta pela libertação, refletida na afabilidade repentina do colono ou nas suas explosões inesperadas e desmotivadas de temperamento, obrigava o argelino a acompanhar passo a passo a evolução do confronto. Neste período de configuração das linhas de conflito, os europeus cometeram muitos erros. Assim, nas fazendas, os colonos reuniam trabalhadores agrícolas para anunciar que uma determinada "gangue de rebeldes", na verdade desconhecida na região, havia sido dizimada nas montanhas Aures ou na Cabília. Em outras ocasiões, ofereciam aos criados uma garrafa de limonada ou uma fatia de bolo porque três ou quatro suspeitos haviam acabado de ser executados a poucos quilômetros da propriedade.

Desde os primeiros meses da Revolução, o argelino, com vista à autoproteção e para escapar ao que considerava manobras mentirosas do ocupante, viu-se obrigado a adquirir uma fonte própria de informação. Tornou-se essencial saber o que estava acontecendo, ser informado tanto das perdas reais do inimigo quanto das dele. O argelino, nessa época, teve que levar sua vida ao nível da Revolução. Ele teve que entrar na vasta rede de notícias; ele tinha que encontrar seu caminho em um mundo no qual as coisas aconteciam, no qual os eventos existiam, no qual as forças estavam ativas. Através da experiência de uma guerra travada por seu próprio povo, o argelino entrou em contato com uma comunidade ativa. O argelino viu-se obrigado a opor-se às notícias do inimigo com as suas próprias notícias. A "verdade" do opressor, antes rejeitada como mentira absoluta, foi agora contestada por outra, uma verdade atuada. A mentira do ocupante, assim, adquiriu maior realidade, pois agora era uma mentira ameaçada, colocada na defensiva. Foram as defesas do ocupante, suas reações, suas resistências, que evidenciaram a eficácia da ação nacional e fizeram com que essa ação participasse de um mundo de verdade. A reação do argelino não foi mais de recusa dolorosa e desesperada. Por confessar sua própria inquietação, a mentira do ocupante tornou-se um aspecto positivo da nova verdade da nação. A reação do argelino não foi mais de recusa dolorosa e desesperada. Por confessar sua própria inquietação, a mentira do ocupante tornou-se um aspecto positivo da nova verdade da nação. A reação do argelino não foi mais de recusa dolorosa e desesperada. Por confessar sua própria inquietação, a mentira do ocupante tornou-se um aspecto positivo da nova verdade da nação.

Durante os primeiros meses de guerra, foi por meio da imprensa que o argelino tentou organizar seu próprio sistema de distribuição de notícias. A imprensa democrática ainda existente na Argélia e os jornais de tradição anticolonialista ou de objetividade eram então lidos avidamente pelos indígenas. Foi neste setor de distribuição de notícias que o argelino encontrou elementos restauradores do equilíbrio. O poder da mensagem colonialista, os sistemas usados ​​para impô-la e apresentá-la como verdade eram tais que na maioria das vezes o colonizado tinha apenas sua própria convicção interior cada vez mais ofuscada para se opor às ofensivas eminentemente traumatizantes da imprensa francesa e do espetacular manifestações do poder militar e policial. Confrontado diariamente com "a extinção dos últimos bandos guerrilheiros remanescentes",

Progressivamente, o apoio moral (porque objetivo) fornecido pela imprensa democrática cessou. A autocensura dos jornais locais, conhecidos por sua tradicional honestidade, fortaleceu essa impressão de incompletude, de superficialidade e até de traição no domínio das notícias. Pareceu ao argelino que seções inteiras da verdade estavam escondidas dele. Ele tinha quase a certeza de que o poder colonialista estava se desintegrando diante de seus olhos e que o progresso de sua dissolução estava sendo escondido dele. Ele foi vítima de um medo repentino de que aquela coisa, tantas vezes odiada, ferida até a morte no djebel, seus dias provavelmente contados, desaparecesse sem que ele pudesse ver de perto seu poder e sua arrogância em processo de desintegração. Durante este período, o argelino experimentou uma sensação de frustração.

Os europeus, em geral, avaliou as dimensões da rebelião de forma bastante objetiva. Ele realmente não acreditava que em alguma bela manhã as tropas revolucionárias assumiriam o controle da cidade. Mas ele sabia mais ou menos precisamente quão grandes eram as forças da Revolução e estava constantemente comparando-as com as representadas pelas tropas francesas. Cada avião que riscava o céu, cada tanque blindado avançando na madrugada eram tantos pontos de sol no mundo ansioso e incerto do colono. O europeu sentiu o choque, mas naqueles primeiros meses de 1955 acreditava que nada estava perdido, que ainda havia futuro para o colonialismo na Argélia. As declarações oficiais da rádio fortaleceram-no nesta posição. O argelino, por outro lado, especialmente se vivia na zona rural, complementou sua ausência de notícias com uma superestimação absolutamente irracional. Naquela época, ocorreram reações tão desproporcionais à realidade objetiva que assumiram, para o observador, um caráter patológico. Nos primeiros meses de 1995, houve rumores em Constantino de que Argel, por exemplo, estava nas mãos de nacionalistas, ou em Argel que a bandeira da Argélia foi hasteada sobre Constantino, Philippeville, Batna ....

Nos pequenos centros de colonização, os colonos nem sempre conseguiam entender a segurança feroz e repentina do fellah, e havia momentos em que telefonavam para a cidade mais próxima, apenas para serem confirmados que nada de incomum havia acontecido no país. O europeu se deu conta de que a vida que construíra na agonia do povo colonizado estava perdendo a segurança.

Antes da rebelião havia a vida, o movimento, a existência do colono, e do outro lado a agonia contínua do colonizado. Desde 1954, o europeu descobriu que outra vida paralela à sua começou a se agitar e que na sociedade argelina, ao que parece, as coisas não se repetem mais como antes. O europeu, a partir de 1954, sabia que algo estava sendo escondido dele. É o período em que a velha expressão pejorativa, o telefone árabe, ganha um sentido quase científico.

No país do Magrebe, os europeus usam o termo telefone árabe para falar da velocidade relativa com que as notícias correm boca a boca na sociedade nativa. Nunca, em nenhum momento, a expressão teve a intenção de significar outra coisa. Mas em 1955, europeus, e até mesmo argelinos, podiam ser ouvidos referindo-se confidencialmente, e como se revelassem um segredo de Estado, a uma técnica de comunicação à distância que lembrava vagamente algum sistema de sinalização, como o tom-tom, conforme encontrado em certas regiões da África. O argelino deu ao isolado europeu a impressão de estar em contato permanente com o alto comando revolucionário. Ele mostrou uma espécie de autoconfiança ampliada que assumiu formas bastante extraordinárias. Houve casos de verdadeiros "descontrolados".

Os indivíduos em um ataque de aberração perderiam o controle de si mesmos. Eles eram vistos correndo por uma rua ou em uma fazenda isolada, desarmados, ou brandindo uma faca afiada miserável, gritando: "Vida longa à Argélia independente! Nós vencemos!" Esse tipo de comportamento agressivo, que assumia formas violentas, geralmente terminava em uma rajada de balas de metralhadora disparadas por uma patrulha. Quando um médico conseguia trocar palavras com um desses moribundos, o tipo usual de expressão que ele ouvia seria algo como: "Não acredite neles! Chegamos ao limite, nossos homens estão chegando, eu enviado para avisar que eles estão vindo! Somos poderosos e esmagaremos o inimigo! "

These hysterical cases were sometimes merely wounded and were given over to the police for questioning. The pathological nature of their behavior would not be recognized, and the accused would be tortured for days until the press reported that he had been shot trying to escape while being transferred to another prison, or that he had died of a recurring ailment. In the dominant group, likewise, there were cases of mental hysteria; people would be seized with a collective fear and panicky settlers were seen to seek an outlet in criminal acts. What made the two cases different was that, unlike the colonized, the colonizer always translated his subjective states into acts, real and multiple murders. We propose to deal with these different problems, arising out of the struggle for liberation, in a study directly based on psychopathology, its forms, its original features, its description.

No plano das notícias, o argelino se veria preso em uma rede estritamente confinada ao espaço. Em uma aldeia, todos são informados sobre o tamanho numérico e o equipamento do Exército Nacional de Libertação. Mediante solicitação, podem ser obtidas informações sobre seu poder de ataque e plano de operações. Ninguém, é claro, pode fornecer a fonte de tais informações, mas a confiabilidade é incontestável. A descrição que se faz, no momento do colapso do exército nacional, da rapidez com que se espalham entre o povo notícias alarmantes, catastróficas, desastrosas, pode servir de sistema de referência para avaliar o fenômeno oposto. Em 1940 podem ter sido descobertos segmentos de uma Quinta Coluna que foram designados para inocular o povo francês com o vírus da derrota, mas não deve ser esquecido que o terreno já estava preparado, que houve uma espécie de desmobilização espiritual, devido aos reveses sofridos pela democracia na Espanha, na Itália, na Alemanha e, principalmente, em Munique. O derrotismo de 1940 foi produto direto do derrotismo de Munique.

Na Argélia, ao contrário - e isso vale para todos os países coloniais que empreendem uma guerra nacional - todas as notícias são boas, cada informação é gratificante. A quinta coluna é uma impossibilidade na Argélia. É o reconhecimento desse fato que leva os sociólogos a redescobrir a velha explicação segundo a qual o "nativo" é inacessível à razão ou à experiência. Os especialistas em guerra observam mais empiricamente que esses homens têm um moral de ferro ou que seu fanatismo é incompreensível. O grupo considerado como um todo dá a impressão de complementar o que chega na notícia com uma segurança cada vez mais afastada da realidade. Essas manifestações, essas atitudes de fé total, essa convicção coletiva, expressam a determinação do grupo em chegar o mais perto possível da Revolução,

Ao mesmo tempo, como vimos, especialmente nos centros urbanos, padrões mais complexos de comportamento vieram à tona. Ávidos por notícias objetivas, os argelinos comprariam os jornais democráticos que chegavam da França. Isso significou um benefício financeiro inegável para esses jornais. L'Express, França-Observateur 'Le Monde aumentou suas vendas três e até cinco vezes na Argélia. Os dirigentes de quiosques de jornais, quase todos europeus, foram os primeiros a apontar o perigo econômico e, em segundo lugar, o perigo político que essas publicações representavam. Ao estudar o problema da imprensa na Argélia, deve-se sempre ter em mente uma peculiaridade do sistema de distribuição. Os pregoeiros, todos jovens argelinos, vendem apenas para a imprensa local. Os jornais europeus não são levados ao consumidor. Esses papéis têm que ser comprados nos quiosques. Os donos da imprensa argelina sentem imediatamente a competição da imprensa francesa. As campanhas denunciando a imprensa por estar "em conluio com o inimigo" e as repetidas apreensões de certo número dessas publicações obviamente assumiram um significado especial. Cada vez mais jornalistas, quando questionados sobre esses jornais, respondiam agressivamente que "os jornais tristes não chegaram hoje".

Os argelinos nas cidades, mas especialmente nos centros rurais, descobriram então que era suficiente para rotulá-los mostrar preocupação com a chegada ou não chegada da dita imprensa. Na Argélia como na França, mas é claro que de forma mais marcante, o negociante de quiosque de jornal, assim como o escriturário, certamente será um veterano com forte apoio em círculos ultracoloniais. Para o argelino pedir L'Express, L'Humanite 'ou Le Monde era o mesmo que confessar publicamente - tão provavelmente quanto não a um informante da polícia - sua fidelidade à Revolução; de qualquer forma, foi uma indicação descuidada de que ele tinha reservas quanto às notícias oficiais ou "colonialistas"; significava manifestar sua disposição de se tornar visível; para o quiosque, foi a afirmação irrestrita daquele argelino de solidariedade com a Revolução. A compra desse jornal foi, portanto, considerada um ato nacionalista. Portanto, rapidamente se tornou um ato perigoso.

Cada vez que o argelino pedia um desses jornais, o traficante do quiosque, que representava o ocupante, considerava isso uma expressão de nacionalismo, equivalente a um ato de guerra. Por estarem agora realmente comprometidos com atividades vitais para a Revolução, ou por prudência compreensível, se tivermos em mente a onda de xenofobia criada pelos colonizadores franceses em 1955, os adultos argelinos logo criaram o hábito de fazer com que jovens argelinos comprassem esses jornais . Demorou apenas algumas semanas para esse novo "truque" ser descoberto. Após um certo período, os jornaleiros se recusaram a vender L'Express, L'Humanite e Liberation para menores. Os adultos foram então reduzidos a sair para o campo aberto ou então a recorrer ao L'Echo d'Alger.

Essa decisão teve um duplo objetivo. Em primeiro lugar, para contrariar a ofensiva dos trustes argelinos com uma medida com consequências económicas. Ao privar os jornais argelinos de uma grande proporção de seus clientes nativos, o movimento revolucionário estava desferindo um golpe bastante eficaz no mercado da imprensa local. Mas, acima de tudo, a direção política estava convencida de que, tendo que depender apenas das notícias colonialistas, os argelinos iriam gradualmente sucumbir à influência maciça e nefasta daquelas páginas em que figuras e fotografias eram exibidas com complacência e onde em qualquer caso se podia ler claramente todas as manhãs sobre a eliminação da Revolução.

No nível das massas, que permaneceram relativamente pouco envolvidas na luta por não poderem ler a imprensa, sentiu-se a necessidade de aparelhos de rádio. Não se deve esquecer que o analfabetismo generalizado do povo o deixou indiferente às coisas escritas. Nos primeiros meses da Revolução, a grande maioria dos argelinos identificou tudo o que foi escrito em língua francesa como expressão da dominação colonial. A língua em que foram escritos L'Express e L'Echo d'Alger foi o sinal da presença francesa.

A aquisição de um aparelho de rádio na Argélia, em 1955, representou o único meio de se obter notícias da Revolução de fontes não francesas. Esta necessidade assumiu um caráter contundente quando o povo soube que havia argelinos no Cairo que traçavam diariamente o balanço da luta de libertação. Do Cairo, da Síria, de quase todos os países árabes, as grandes páginas escritas nos djebels por irmãos, parentes, amigos voltaram para a Argélia.

Enquanto isso, apesar dessas novas ocorrências, a introdução de aparelhos de rádio nas casas e nos douars mais remotos ocorreu apenas gradualmente. Não houve muita pressa para comprar receptores.

Foi no final de 1956 que ocorreu a verdadeira mudança. Nesta época foram distribuídos folhetos anunciando a existência de uma Voz da Argélia Livre. Os horários de transmissão e os comprimentos de onda foram fornecidos. Esta voz “que fala desde os djebels”, não limitada geograficamente, mas levando a toda a Argélia a grande mensagem da Revolução, adquiriu imediatamente um valor essencial. Em menos de vinte dias, todo o estoque de aparelhos de rádio foi comprado. No mercado, começou o comércio de conjuntos de receptores usados. Os argelinos que haviam servido como aprendizes com radiotelistas europeus abriram pequenas lojas. Além disso, os concessionários tiveram que atender às novas necessidades. A ausência de eletrificação em imensas regiões da Argélia criava naturalmente problemas especiais para o consumidor. Por este motivo, os receptores movidos a bateria, a partir de 1956, estavam em grande demanda em território argelino. Em poucas semanas, vários milhares de conjuntos foram vendidos aos argelinos, que os compraram como indivíduos, famílias, grupos de casas, douars, mechtas.

Desde 1956, a compra de um rádio na Argélia significou, não a adoção de uma técnica moderna de obtenção de notícias, mas a obtenção de acesso ao único meio de entrar em comunicação com a Revolução, de conviver com ela. No caso especial do conjunto de bateria portátil, uma forma aprimorada do receptor padrão operando em corrente, o especialista em mudanças técnicas em países subdesenvolvidos pode ver um sinal de uma mutação radical. O argelino, aliás, dá a impressão de encontrar atalhos e de alcançar as formas mais modernas de comunicação-notícia sem passar pelas etapas intermediárias. (3) Na realidade, vimos que esse "progresso" se explica por a ausência de corrente elétrica nos douars argelinos.

As autoridades francesas não perceberam de imediato a importância excepcional desta mudança de atitude do povo argelino em relação à rádio. As resistências tradicionais foram rompidas e podiam-se ver em um douar grupos de famílias em que pais, mães, filhas, cotovelo a cotovelo, examinavam o dial do rádio à espera da Voz da Argélia. Indiferente à estéril e arcaica modéstia e aos antigos arranjos sociais destituídos de fraternidade, a família argelina se descobriu imune às piadas mal-humoradas e às referências libidinosas que o locutor às vezes deixava escapar.

Quase magicamente - mas vimos a progressão rápida e dialética das novas exigências nacionais - o instrumento técnico do receptor de rádio perdeu sua identidade como um objeto inimigo. O aparelho de rádio não fazia mais parte do arsenal de opressão cultural do ocupante. Ao fazer do rádio o principal meio de resistir às crescentes pressões psicológicas e militares do ocupante, a sociedade argelina tomou a decisão autônoma de abraçar a nova técnica e, assim, sintonizar-se com os novos sistemas de sinalização criados pela Revolução.

A Voz da Luta Argélia seria de capital importância na consolidação e unificação do povo. Veremos que o uso das línguas árabe, cabila e francesa que, como o colonialismo foi obrigado a reconhecer, era expressão de uma concepção não racial, teve a vantagem de desenvolver e fortalecer a unidade do povo, de fazer o lutando na área de Djurdjura real para os patriotas argelinos de Batna ou de Nemours. Os fragmentos e estilhaços de atos recolhidos pelo correspondente de um jornal mais ou menos apegado à dominação colonial, ou comunicados pelas autoridades militares adversárias, perderam o caráter anárquico e se organizaram em uma ideia política nacional e argelina, assumindo seu lugar em um estratégia global de reconquista da soberania do povo. Os atos dispersos se encaixaram em um vasto épico,

Ter um rádio significava pagar impostos à nação, comprar o direito de entrada na luta de um povo reunido.

As autoridades francesas, no entanto, começaram a perceber a importância desse progresso do povo na técnica de divulgação de notícias. Após alguns meses de hesitação, surgiram medidas legais. A venda de rádios passou a ser proibida, exceto mediante apresentação de comprovante expedido pela segurança militar ou pela polícia. A venda de conjuntos de baterias foi absolutamente proibida e as baterias sobressalentes foram praticamente retiradas do mercado. Os traficantes argelinos tiveram agora a oportunidade de colocar à prova o seu patriotismo e puderam abastecer com exemplar regularidade baterias sobressalentes à população recorrendo a vários subterfúgios. (4)

O argelino que quis fazer jus à Revolução teve finalmente a possibilidade de ouvir uma voz oficial, a voz dos combatentes, explicar-lhe o combate, contar-lhe a história da Libertação em marcha e incorporá-la ao nova vida da nação.

Aqui nos deparamos com um fenômeno que é suficientemente incomum para prender nossa atenção. Os serviços franceses altamente treinados, ricos com a experiência adquirida nas guerras modernas, antigos mestres na prática da "guerra das ondas sonoras", foram rápidos em detectar os comprimentos de onda das estações de transmissão. Os programas foram sistematicamente bloqueados e a Voz do Combate à Argélia logo se tornou inaudível. Uma nova forma de luta havia surgido. Foram distribuídos folhetos orientando os argelinos a se manterem sintonizados por um período de duas ou três horas. No curso de uma única transmissão, uma segunda estação, transmitindo em um comprimento de onda diferente, retransmitiria a primeira estação bloqueada. O ouvinte, inscrito na batalha das ondas, tinha que descobrir a tática do inimigo, e de forma quase física contornar a estratégia do adversário. Muitas vezes, apenas o operador, com o ouvido colado ao receptor, tinha a oportunidade inesperada de ouvir a Voz. Os outros argelinos presentes na sala receberiam o eco desta voz através da intérprete privilegiada que, no final da transmissão, foi literalmente sitiada. Então, perguntas específicas seriam feitas a essa voz encarnada. Os presentes queriam saber de uma determinada batalha mencionada pela imprensa francesa nas últimas vinte e quatro horas, e o intérprete, constrangido, sentindo-se culpado, às vezes tinha que admitir que a Voz não a havia mencionado. Então, perguntas específicas seriam feitas a essa voz encarnada. Os presentes queriam saber de uma determinada batalha mencionada pela imprensa francesa nas últimas vinte e quatro horas, e o intérprete, constrangido, sentindo-se culpado, às vezes tinha que admitir que a Voz não a havia mencionado. Então, perguntas específicas seriam feitas a essa voz encarnada. Os presentes queriam saber de uma determinada batalha mencionada pela imprensa francesa nas últimas vinte e quatro horas, e o intérprete, constrangido, sentindo-se culpado, às vezes tinha que admitir que a Voz não a havia mencionado.

Mas de comum acordo, após uma troca de pontos de vista, seria decidido que a Voz havia de fato falado desses eventos, mas que o intérprete não havia captado a informação transmitida. Começaria então uma verdadeira tarefa de reconstrução. Todos participariam, e as batalhas de ontem e de anteontem seriam travadas de acordo com as aspirações profundas e a fé inabalável do grupo. O ouvinte compensaria a natureza originária das notícias por meio de uma criação autônoma de informações.

Ouvir a voz da luta A Argélia foi motivada não apenas pela ânsia de ouvir as notícias, mas mais particularmente pela necessidade interior de estar em união com a nação em sua luta, de recapturar e assumir a nova formulação nacional, de ouvir e para repetir a grandeza do épico que se realiza lá em cima entre as rochas e sobre os djebels. Todas as manhãs o argelino comunicava o resultado das suas horas de escuta. Todas as manhãs completava em benefício do seu vizinho ou do seu camarada as coisas não ditas pela Voz e respondia às perguntas insidiosas da imprensa inimiga. Ele rebateria as afirmações oficiais do ocupante, os retumbantes boletins do adversário, com declarações oficiais, processado pelo Comando Revolucionário.

Às vezes, era o militante que divulgava o ponto de vista assumido da direção política. Por causa de um silêncio sobre este ou aquele fato que, se prolongado, poderia ser perturbador e perigoso para a unidade do povo, toda a nação iria arrebatar fragmentos de sentenças no curso de uma transmissão e atribuir a eles um significado decisivo. Ouvida imperfeitamente, obscurecida por um congestionamento incessante, forçada a mudar os comprimentos de onda duas ou três vezes no curso de uma transmissão, a ~ Voice of Fighting Algeria dificilmente poderia ser ouvida do início ao fim. Era uma voz entrecortada e quebrada. De uma aldeia a outra, de uma cabana a outra, a Voz da Argélia recontava coisas novas, contava batalhas cada vez mais gloriosas, retratava vividamente o colapso da potência ocupante. O inimigo perdeu sua densidade, e no nível da consciência dos ocupados, experimentou uma série de contratempos essenciais. Assim, a Voz da Argélia, que durante meses viveu a vida de um fugitivo, que foi rastreada pelas poderosas redes de interferência do adversário e cuja "palavra" muitas vezes era inaudível, alimentou a fé dos cidadãos na Revolução.

Essa Voz cuja presença era sentida, cuja realidade era sentida, assumia cada vez mais peso em proporção ao número de comprimentos de onda de interferência transmitidos pelas estações inimigas especializadas. Foi o poder da sabotagem inimiga que enfatizou a realidade e a intensidade da expressão nacional. Por seu caráter fantasmagórico, a rádio dos Moudjahidines, falando em nome da Fighting Argélia, reconhecida como porta-voz de todo argelino, deu ao combate o seu máximo de realidade.

Nessas condições, afirmar ter ouvido a Voz da Argélia era, em certo sentido, distorcer a verdade, mas era sobretudo a ocasião para proclamar a própria participação clandestina na essência da Revolução. Significava fazer uma escolha deliberada, embora não explícita nos primeiros meses, entre a mentira congênita do inimigo e a mentira do próprio povo, que de repente adquiriu uma dimensão de verdade.

Esta voz, muitas vezes ausente, fisicamente inaudível, que cada um sentia brotando dentro de si, fundada numa percepção interior da Pátria, materializou-se de forma irrefutável. Cada argelino, por sua vez, difundiu e transmitiu a nova língua. A natureza dessa voz lembrava de mais de uma maneira a da Revolução: presente "no a *" em pedaços isolados, mas não objetivamente. (5)

O receptor de rádio garantiu essa mentira verdadeira. Todas as noites, das nove horas à meia-noite, o argelino ouvia. No final da noite, não ouvindo a Voz, o ouvinte às vezes deixava a agulha em um comprimento de onda emperrado ou que simplesmente produzia estática, e anunciava que a voz dos combatentes estava aqui. Durante uma hora, a sala se encheria com o barulho agudo e excruciante da interferência. Atrás de cada modulação, de cada crepitação ativa, o argelino imaginava não apenas palavras, mas batalhas concretas. A guerra das ondas sonoras, no gourl ~ i, reconstitui em benefício do cidadão o confronto armado do seu povo e o colonialismo. Regra geral, é a voz da Argélia que vence. As estações inimigas, uma vez finalizada a transmissão, abandonam seu trabalho de sabotagem. A música militar da guerra da Argélia que conclui a transmissão pode então encher livremente os pulmões e a cabeça dos fiéis. Estas poucas notas de bronze recompensam três horas de esperança diária e têm desempenhado um papel fundamental durante meses na formação e no fortalecimento da consciência nacional argelina.

No plano psicopatológico, é importante mencionar alguns fenômenos pertencentes ao rádio que surgiram em conexão com a guerra de libertação. Antes de 1954, as monografias escritas sobre os argelinos que sofriam de alucinações apontavam constantemente para a presença na chamada "fase de ação externa" de vozes de rádio altamente agressivas e hostis. Essas vozes metálicas, cortantes, insultantes, desagradáveis, todas têm para o argelino um caráter acusador, inquisitorial. O rádio, no plano normal, já apreendido como instrumento da ocupação, como uma espécie de invasão violenta por parte do opressor, assume significados altamente alienantes no campo do patológico. O rádio, além dos elementos mágicos um tanto irracionais de que está investido na maioria das sociedades homogêneas, isto é, sociedades nas quais toda opressão estrangeira está ausente, tem uma valência particular na Argélia. Vimos que a voz ouvida não é indiferente, não é neutra; é a voz do opressor, a voz do inimigo. O discurso proferido não é recebido, decifrado, compreendido, mas rejeitado. A comunicação nunca é questionada, mas simplesmente recusada, pois é precisamente a abertura de si ao outro que está organicamente excluída da situação colonial. Antes de 1954, no plano psicopatológico, o rádio era um objeto maligno, ansiogênico e maldito. decifrado, compreendido, mas rejeitado. A comunicação nunca é questionada, mas simplesmente recusada, pois é precisamente a abertura de si ao outro que está organicamente excluída da situação colonial. Antes de 1954, no plano psicopatológico, o rádio era um objeto maligno, ansiogênico e maldito. decifrado, compreendido, mas rejeitado. A comunicação nunca é questionada, mas simplesmente recusada, pois é precisamente a abertura de si ao outro que está organicamente excluída da situação colonial. Antes de 1954, no plano psicopatológico, o rádio era um objeto maligno, ansiogênico e maldito.

Depois de 1954, o rádio assumiu significados totalmente novos. Os fenômenos do rádio e do aparelho receptor perderam seu coeficiente de hostilidade, foram despojados de seu caráter de estranheza e se tornaram parte da ordem coerente da nação em batalha. Nas psicoses alucinatórias, a partir de 1956, as vozes do rádio tornaram-se protetoras, amigáveis. Os insultos e acusações desapareceram e deram lugar a palavras de encorajamento. A técnica estrangeira, "digerida" no contexto da luta nacional, tornou-se um instrumento de luta do povo e um órgão protetor contra a ansiedade. (6)

Ainda no plano da comunicação, deve-se chamar a atenção para a aquisição de novos valores pela língua francesa. A língua francesa, língua de ocupação, veículo do poder opressor, parecia condenada por toda a eternidade a julgar o argelino de forma pejorativa. Cada expressão francesa referente ao argelino tinha um conteúdo humilhante. Cada discurso francês ouvido era uma ordem, uma ameaça ou um insulto. O contato entre o argelino e o europeu é definido por essas três esferas. A transmissão em francês dos programas do Fighting Algeria visava libertar a língua inimiga de seus significados históricos. A mesma mensagem transmitida em três línguas diferentes unificou a experiência e deu-lhe uma dimensão universal. A língua francesa perdeu seu caráter maldito, revelando-se capaz também de transmitir, para o benefício da nação, as mensagens da verdade que esta esperava. Por mais paradoxal que possa parecer, é a Revolução argelina, é a luta do povo argelino que está facilitando a difusão da língua francesa no país.

Na psicopatologia, as sentenças em francês perdem seu caráter automático de insulto e maldição. Quando ouvem vozes francesas, os argelinos que sofrem de alucinações citam palavras cada vez menos agressivas. Não é incomum, em um estágio posterior, notar que as alucinações na linguagem do ocupante assumem um caráter amigável de apoio, de proteção. (7)

As autoridades de ocupação não mediram a importância da nova atitude do argelino em relação à língua francesa. Expressar-se em francês, entender o francês, não era mais o mesmo que traição ou empobrecimento da identificação com o ocupante. Utilizada pela Voz dos Combatentes, transmitindo de forma positiva a mensagem da Revolução, a língua francesa torna-se também um instrumento de libertação. Enquanto antigamente, na psicopatologia, qualquer voz francesa, para alguém em delírio, expressava rejeição, condenação e opróbrio, com a luta pela libertação vemos o início de um grande processo de exorcização da língua francesa. Quase se pode dizer que o "nativo" assume a responsabilidade pela língua do ocupante. (8)

Foi depois do Congresso do Soummam, em agosto de 1956, que os franceses tomaram conhecimento desse fenômeno. Recorde-se que nesta ocasião, os dirigentes políticos e militares da Revolução reuniram-se no Vale do Soummam, precisamente no sector de Amirouche, o então Comandante, para lançar as bases doutrinais da luta e implantar o Nacional Conselho da Revolução Argelina (CNRA). O facto de as discussões terem decorrido em francês revelou repentinamente às forças de ocupação que a tradicional reticência geral dos argelinos em relação ao uso do francês na situação colonial pode já não existir, quando um confronto decisivo trouxe a vontade de independência nacional dos pessoas e o poder dominante face a face.

As autoridades francesas ficaram curiosamente perplexas com este fenômeno. Eles primeiro viram nele a prova do que sempre afirmaram - isto é, a incapacidade da língua árabe de lidar com os conceitos operacionais de uma guerra revolucionária moderna. Mas, ao mesmo tempo, as decisões alcançadas no sistema linguístico do ocupante forçaram o ocupante a perceber o caráter relativo de seus signos e criaram confusão e desordem em seu sistema de defesa.

Os defensores da integração, por sua vez, viram aqui uma nova oportunidade para promover uma "Argélia Francesa" ao fazer da língua do ocupante o único meio prático de comunicação à disposição dos Kabyles, Árabes, Chaouias, Mozabitas, etc. Esta tese, ao nível da linguagem, remonta à própria base do colonialismo: é a intervenção da nação estrangeira que põe ordem na anarquia original do país colonizado. Nessas condições, a língua francesa, língua do ocupante, passa a ter o papel de Logos, com implicações ontológicas na sociedade argelina.

Em ambos os casos, usar a língua francesa era ao mesmo tempo domesticar um atributo do ocupante e se mostrar aberto aos signos, aos símbolos, em suma, a uma certa influência do ocupante. Os franceses não estudaram suficientemente a fundo esse novo comportamento do argelino em relação à sua língua. Antes de 1954, a maior parte do trabalho dos congressos dos partidos nacionalistas era conduzida em árabe. Mais precisamente, os militantes da Cabília ou dos Aures aprenderiam o árabe em conexão com suas atividades nacionais. Antes de 1954, falar árabe, recusar o francês como língua e meio de opressão cultural, era uma forma distinta e cotidiana de diferenciação, de existência nacional. Antes de 1954, os partidos nacionalistas sustentaram a esperança dos militantes e desenvolveram a consciência política do povo, destacando e explicando, um a um, o valor das diferentes configurações, as diferentes características da nação ocupada. A língua árabe foi o meio mais eficaz que o ser da nação teve de se desvelar. (9)

Em agosto de 1956, a realidade do combate e da confusão do ocupante despojou a língua árabe de seu caráter sagrado e a língua francesa de suas conotações negativas. A nova língua da nação poderia então se tornar conhecida por meio de vários canais significativos.

O receptor de rádio como técnica de divulgação de notícias e a língua francesa como base de uma possível comunicação tornaram-se quase simultaneamente aceitos pela nação guerreira.

Vimos que, com a criação da Voz da Luta na Argélia, os aparelhos de rádio se multiplicaram extraordinariamente. Antes de 1954, o instrumento receptor, a técnica radiofônica da comunicação à distância do pensamento não era, na Argélia, um mero objeto neutro. Considerado como uma correia de transmissão do poder colonialista, como um meio nas mãos do ocupante para manter seu domínio estrangulante sobre a nação, o rádio era desaprovado. Antes de 1954, ligar o rádio significava asilo às palavras do ocupante; significava permitir que a linguagem do colunizador se infiltrasse no âmago da casa, o último dos bastiões supremos do espírito nacional. Antes de 1954, um rádio em uma casa argelina era a marca da europeização em andamento, da vulnerabilidade. Foi a abertura consciente à influência do dominador, à sua pressão. Foi a decisão de dar voz ao ocupante. Ter rádio significava aceitar ser assediado internamente pelo colonizador. Significou demonstrar que se opta pela coabitação no quadro colonial. Significava, sem dúvida, render-se ao ocupante.

Mencionamos os motivos invocados pelo povo para explicar suas reticências em relação ao rádio. O desejo de manter intactas as formas tradicionais de sociabilidade e a hierarquia familiar era então a principal justificativa.

"Nunca sabemos que programa vamos escolher." "Não há como dizer o que eles vão dizer a seguir." Às vezes surge um argumento religioso de natureza peremptória: "É o rádio dos infiéis". Vimos que tais racionalizações são criadas arbitrariamente para justificar a rejeição da presença do ocupante.

Com a criação de uma Voz de Combate na Argélia, o argelino assumiu um compromisso vital em ouvir a mensagem, em assimilá-la e em breve agir de acordo com ela. Comprar um rádio, ajoelhar-se com a cabeça apoiada no alto-falante, não era mais apenas querer saber das notícias da formidável experiência em curso no país, era ouvir as primeiras palavras da nação.

Como a nova Argélia em marcha decidiu falar de si mesma e fazer-se ouvir, o rádio tornou-se indispensável. Foi o rádio que permitiu à Voz criar raízes nas aldeias e nas colinas. Ter um rádio significava seriamente ir para a guerra.

Por meio do rádio, técnica rejeitada antes de 1954, o povo argelino decidiu relançar a Revolução. Ouvindo a Revolução, o argelino existiu com ela, fez-a existir.

A memória das rádios "livres" que surgiram durante a Segunda Guerra Mundial destaca a qualidade única da Voz da Luta na Argélia. Os polacos, belgas, franceses, sob a ocupação alemã, conseguiram, através das emissões transmitidas de Londres, manter contacto com uma determinada imagem da sua nação. A esperança, o espírito de resistência ao opressor, recebia sustento diário e era mantida viva. Por exemplo, será lembrado que ouvir a voz da França Livre era um modo de existência nacional, uma forma de combate. A participação fervorosa e quase mística do povo francês com a voz de Londres foi suficientemente comentada para dispensar amplificação. Na França, de 1940 a 1944, ouvir a voz da França Livre foi certamente uma experiência vital e procurada. Mas ouvir rádio não era um fenômeno novo de comportamento. A voz de Londres teve seu lugar no vasto repertório de estações transmissoras que já existiam para os franceses antes da guerra. Do conflito global, uma figura proeminente emerge por meio da agência - a da França ocupada recebendo a mensagem de esperança da França Livre. Na Argélia, as coisas ganharam um caráter especial. Em primeiro lugar, houve a retirada do instrumento de seu tradicional fardo de tabus e proibições. Progressivamente, o instrumento não só adquiriu uma categoria de neutralidade, mas foi dotado de coeficiente positivo. uma figura preeminente emerge por meio da agência - a da França ocupada recebendo a mensagem de esperança da França Livre. Na Argélia, as coisas ganharam um caráter especial. Em primeiro lugar, houve a retirada do instrumento de seu tradicional fardo de tabus e proibições. Progressivamente, o instrumento não só adquiriu uma categoria de neutralidade, mas foi dotado de coeficiente positivo. uma figura preeminente emerge por meio da agência - a da França ocupada recebendo a mensagem de esperança da França Livre. Na Argélia, as coisas ganharam um caráter especial. Em primeiro lugar, houve a retirada do instrumento de seu tradicional fardo de tabus e proibições. Progressivamente, o instrumento não só adquiriu uma categoria de neutralidade, mas foi dotado de coeficiente positivo.

Aceitar a técnica do rádio, comprar um aparelho receptor e participar da vida da nação guerreira, tudo isso coincidiu. O frenesi com que o povo exauriu o estoque de aparelhos de rádio dá uma ideia bastante precisa de seu desejo de se envolver no diálogo iniciado em 1955 entre o combatente e a nação.

Na sociedade colonial, a Radio-Alger não era apenas uma entre várias vozes. Era a voz do ocupante. Sintonizar na Rádio-Alger significava aceitar a dominação; equivalia a exibir o desejo de viver em boas condições com a opressão. Significava ceder ao inimigo. Ligar o rádio significava validar a fórmula: "Esta é Argel, a emissora de rádio francesa". A aquisição de um rádio entregou o colonizado ao sistema do inimigo e o preparou para banir a esperança de seu coração.

A existência da Voz do Combate à Argélia, por outro lado, mudou profundamente o problema. Cada argelino sentiu-se convocado e quis tornar-se elemento reverberador da vasta rede de significados nascida do combate libertador. A guerra, acontecimentos diários de caráter militar ou político, foram amplamente comentados nos noticiários das rádios estrangeiras. Em primeiro plano, destacava-se a voz dos djebels. Vimos que o caráter fantasmagórico e rapidamente inaudível dessa voz em nada afetou sua realidade sentida e seu poder. A Radio-Alger, a radiodifusão argelina, perderam sua soberania.

Já se foi o tempo em que ligar o rádio mecanicamente era um convite ao inimigo. Para o argelino, o rádio, como técnica, transformou-se. O aparelho de rádio não estava mais direta e exclusivamente sintonizado no ocupante. À direita e à esquerda da faixa de radiodifusão da Rádio-Alger, em diferentes e numerosos comprimentos de onda, podiam-se sintonizar inúmeras estações, entre as quais era possível distinguir os amigos, os cúmplices dos inimigos e os neutros. Nessas condições, ter um receptor não significava se colocar à disposição do inimigo, nem dar-lhe voz, nem ceder por princípio. Ao contrário, no plano estrito das notícias, era mostrar a vontade de se manter à distância, de ouvir outras vozes, de acolher outras perspectivas.

O velho monólogo da situação colonial, já abalado pela existência da luta, desapareceu por completo em 1956. A Voz da Luta Argélia e todas as vozes captadas pelo receptor agora revelavam ao argelino o caráter tênue, muito relativo, em suma , a impostura da voz francesa apresentada até agora como a única. A voz do ocupante foi destituída de sua autoridade.

O discurso da nação, as palavras faladas pela nação moldam o mundo ao mesmo tempo que o renovam.

Antes de 1954, a sociedade nativa como um todo rejeitava o rádio, fazia ouvidos moucos ao desenvolvimento técnico dos métodos de divulgação de notícias. Havia uma atitude não receptiva diante dessa importação trazida pelo ocupante. Na situação colonial, o rádio não atendia a nenhuma necessidade do povo argelino. (10) Pelo contrário, o rádio era considerado, como vimos, um meio utilizado pelo inimigo para realizar silenciosamente seu trabalho de despersonalização do nativo.

A luta nacional e a criação da Free Radio A1geria produziram uma mudança fundamental no povo. O rádio apareceu de forma massiva ao mesmo tempo e não em etapas progressivas. O que testemunhamos é uma transformação radical dos meios de percepção, do próprio mundo da percepção. Da Argélia é verdade que nunca houve, no que diz respeito ao rádio, um padrão de hábitos de escuta, de reação do público. No que diz respeito aos processos mentais, a técnica virtualmente teve que ser inventada. A Voz da Argélia, criada do nada, trouxe a nação à vida e dotou cada cidadão de um novo status, dizendo-lhe isso explicitamente.

Depois de 1957, as tropas francesas em operação criaram o hábito de confiscar todos os rádios durante uma operação. Ao mesmo tempo, era proibido ouvir um certo número de transmissões. Hoje as coisas progrediram. A voz da luta contra a Argélia se multiplicou. De Túnis, de Damasco, do Cairo, de Rabat, os programas são transmitidos ao povo. Os programas são organizados por argelinos. Os serviços franceses não tentam mais obstruir essas poderosas e numerosas transmissões. O argelino tem a oportunidade de ouvir, todos os dias, cinco ou seis diferentes programas em árabe ou em francês, através dos quais pode acompanhar passo a passo o desenvolvimento vitorioso da Revolução. No que diz respeito às notícias, a palavra do ocupante tem sofrido uma progressiva desvalorização.

A “Semana de Solidariedade com a Argélia”, organizada pelo povo chinês, ou as resoluções do Congresso dos Povos Africanos sobre a guerra da Argélia, ligam o fellah a uma imensa onda de destruição da tirania.

Incorporado nessas condições à vida da nação, o rádio terá uma importância excepcional na fase de construção do país. Depois da guerra, a disparidade entre as pessoas e o que se pretende falar por elas não será mais possível. A instrução revolucionária sobre a luta pela libertação deve normalmente ser substituída por uma instrução revolucionária sobre a construção da nação. O uso fecundo que pode ser feito do rádio pode ser bem imaginado. A Argélia viveu uma experiência única. Durante vários anos, o rádio terá sido para muitos um dos meios de dizer "não" à ocupação e de acreditar na libertação. A identificação da voz da Revolução com a verdade fundamental da nação abriu horizontes ilimitados.

1 A Radio-Alger é, de facto, uma das amarras da sociedade dominante. A Rádio-MonteCarlo, a Rádio-Paris, a Rádio-Andorre também desempenham um papel protetor contra a "arabização".

2 Sétif e Guelma - dois pontos centrais de um levante muçulmano ocorrido na região de Cabília em maio de 1945. Na repressão, que durou cerca de duas semanas, a aviação e a artilharia ceifaram muitas vidas. (Nota do tradutor)

3 No campo das comunicações militares, o mesmo fenômeno deve ser observado. Em menos de quinze meses, o "sistema de ligação e telecomunicações" do Exército Nacional de Libertação se equiparou ao que há de melhor em um exército moderno.

4 A chegada à Argélia pelos canais normais de novos aparelhos e novas baterias tornou-se obviamente cada vez mais difícil. Depois de 1957, foi da Tunísia e do Marrocos, via metrô, que chegaram novos suprimentos. A introdução regular desses meios de estabelecer contato com a voz oficial da Revolução tornou-se tão importante para o povo quanto a aquisição de armas ou munições para o Exército Nacional.

5 Na mesma linha, deve ser mencionada a maneira como os programas são ouvidos na Cabília. Em grupos de dezenas e às vezes centenas em torno de um receptor, os camponeses ouvem religiosamente "a voz dos árabes". Poucos entendem o árabe literário usado nessas transmissões. Mas os rostos assumem uma aparência de gravidade e os traços endurecem quando a expressão Istiqlal (Independência) ressoa no gourbi (barraco). Uma voz árabe que martela a palavra Istiqlal quatro vezes em uma hora é suficiente nesse nível de consciência elevada para manter viva a fé na vitória.

6 O surgimento de temas de proteção mórbida, sua importância como técnica de autodefesa e mesmo de autocura no desenvolvimento histórico da doença mental, já foram estudados na psiquiatria clássica. Piagued por suas "vozes" acusadoras, a vítima de alucinações não tem outro recurso a não ser criar vozes amigáveis. Esse mecanismo de transformação em sua antítese que aqui assinalamos tem sua contrapartida na situação colonial em desintegração.

7 O que está envolvido aqui não é o surgimento de uma ambivalência, mas sim uma mutação, uma mudança radical de valência, não um movimento de vaivém, mas uma progressão dialética.

8 Por outro lado, imaginava-se que a Voz da Argélia pronunciaria sentenças de morte por alguns colaboradores argelinos. Sofrendo de graves crises de depressão, estes homens que habitualmente pertenciam aos serviços policiais, seriam agredidos, insultados, condenados pela rádio "rebelde". Da mesma forma, as mulheres europeias, bem como os homens europeus em surtos de ansiedade, ouviriam muito claramente ameaças ou condenações em língua árabe. Tais fenômenos eram praticamente desconhecidos antes de 1954.

9 No mesmo período, a direção política decidiu destruir a rádio francesa na Argélia. A existência de uma voz nacional levou os dirigentes do movimento a pensar em silenciar a Rádio-Alger. Danos consideráveis ​​foram infligidos às instalações técnicas pela explosão de bombas-relógio. Mas as transmissões logo foram retomadas.

10 A este respeito, pode referir-se a atitude das autoridades francesas na actual Argélia. Como sabemos, a televisão foi introduzida na Argélia há vários anos. Até recentemente, um comentário bilíngue simultâneo acompanhava as transmissões. Algum tempo atrás, o comentário em árabe cessou. Este fato confirma mais uma vez a adequação da fórmula aplicada à Rádio-Alger: "Franceses falando com franceses".

Fonte: http://warmcove.org/essays/fanon.htm

Respostado de:

MINHA HISTÓRIA TECNOLOGIA E TAMBOR

Cada escolha uma renúncia, logo, perdi muito, quando escolhi crescer, mesmo que esse crescimento se concretiza-se para dez anos, na minha cabeça sempre esteve muito firme a ideia que todos os projetos de mudanças de vida executados nos meus projetos diários teriam efeitos nesse tempo.

Percebi cedo que não seria fácil, logo novo, todos me questionavam o por que de eu querer aprender tantas coisas, muitas deles quase que ao mesmo tempo e algumas delas nem chegava a concretizar e pulava pra outra. Uma curiosidade sem tamanho, sempre gostei de conhecer coisas novas.

A partir das coisas que aprendi a fazer com a mão, foi um passaporte pra circular o mundo. Comecei aprendendo fazer tambores, era jovem, sempre era convidado por Diego Negão (In memória), meu grande irmão e mestre, sempre que ele passava pela minha rua e me via vigiando carro ou metido em alguma briga, me chamava pra ir fazer parte do projeto que estava em funcionamento no CCN(Centro de Cultura Negra do Maranhão) a ligação da minha família era muito forte com a instituição, quase todos da minha fampilia até hoje saem no maior bloco afro do Maranhão o Akomabu, nessa época tão ativo e com as lideranças que dava gosto de ver falar e presenciar as ações, Diego negão, meu amigo desde o projeto filhos do akomabu, uma ala para crianças no bloco assim com o Mestre Magno Cruz, que sempre que me viam, repetiam o convite, para eu retornar a participar das atividades, até que retornei a sede da instituição que sempre ficara marcada na minha vida, independente das discordâncias do modelo político atual.

Não é pra tanto, o fato de não conseguir ficar tanto tempo distânte ali do lado de casa no bairro do Bares, cresci vendo a ligação forte que a instituição tinha na época. Meu pai, já estaria destinado a esta na memória de quem conhece de perto, os passos do grande bloco de afoxe do estado maranhense, ele o Mestre Miguelzinho como é chamado, foi o primeiro a levar a primeira marcação para o bloco, esse instrumento proveniente da Favela do Samba (escola de samba visinha), onde meu pai também viveu intensamente a história.

Para alem da herança do instrumento que até hoje faz parte do set de percussão do bloco e de muitos outros que foram criados como dissidência do Grande gigante negro,

Meu pai deixou outra marca, que aproveito pra lembrar os que não tem forte memória, na sede citada, existe dois pontos de Orixas, Exu e Oxossi/Ogum, e ao lado do ponto de Oxossi, um pé de egiope (Dendezeiro), que foi plantado depois de meu nascimento. De fato descobrir isso depois de minha adolescência, fato interessante é que eu sempre catava os carroços de dendê pra quebrar com alguma pedra e comer o coquinho que tinha dentro, mesmo sem saber o significado ancestral do ato de criança levada.

Pois bem, depois de um convite do Diego Negão, que era meu amigo desde do projeto Filhos do Akomabu, que naquela época ocupava o lugar de professor do curso de confecção de instrumento de percussão afro Brasileiros e africanos, troquei a rua, onde adorava ficar, pela sala de aula do curso, paixão de primeira, tento que tempo passava rápido enquanto estávamos reformando ou criando um outro instrumento. Era uma coisa que me movia por dentro, sentava ali, perto do pé de dendezeiro a lixar ou fazendo outra função da oficina, O projeto era coordenada por uma guerreira muito importante na minha vida, a Grande Zezé de Xangô, na época não entendia nada do nome, só sentia um medo grande de sua personalidade forte e postura de rainha, tremia todo, principalmente quando tínhamos que apresentar a ela o resultado de algum trabalho, um elogio dela era de deixar qualquer artesão feliz pelo seu trabalho. Um das memórias mais presentes foi uma encomenda de alguns atabaques que deveríamos enviar pra fora do Brasil, Rubervaldo que era o segundo professor do curso, logo se transformou em um grande amigo, perfeccionista como é, pude lapidar muitas coisas que aprendia no curso, e durante os trabalhos pra encomenda, que deveria sair perfeita, diga-se de passagem.

Todos os atabaques prontos, vários dias amanhecendo pra dar conta dos tambores e de suas miniaturas idênticas que acompanharia os instrumentos. Como sempre existe um instrumento que testava toda nossa fé, o ultimo atabaque que estava sendo pintado com diversas cores por mim, com supervisão do professor Rubervaldo, já tinha levado a primeira demão de tinta branca e outros detalhes de verde que estava em processo de secagem. Tudo ocorrendo bem com a pintura, passa fita, pinta, tira fita, desenho executado com sucesso, na hora de aplicar o verniz, que deveria ser feito manualmente com uma pistola de alumínio, que precisava ser muito bem limpa e lavada pra não deixar um resquício de tinta, para que no outro dia estivesse funcionando perfeitamente, sem cuspir nem um farelo de tinta antiga.

tudo correndo bem, precisei fazer a mistura do catalizador no tal verniz, não percebi que o produto usado nas tintas anteriores era P.U, usei o produto errado, o algaras. na hora nada de problema, a tinta ainda estava somente na pistola de ar comprimido. foi só ser soprada pelo compressor em direção do instrumento que ao tocar na pintura linda feitas com efeitos africanos, começou a pipocar toda.

No final tivemos que refazer tudo, e não daria mais tempo pra ir pra casa, teríamos que dormir ali, na sede do Centro do Cultura Negra, que na época, causava muito medo nos jovens, rezava a lenda que por ter sido usado como mercado de negros em situação de escravidão, todos afirmavam que era assombrado, lembrava disso quando, tive que ir ao banheiro, e ao sentar tranquilo pra fazer o que só eu podia fazer, as portas do banheiro fechou todas ao mesmo tempo num estrondo só. arrepios por todo o corpo. vesti minha roupa tremula e ouvir uma gargalhada, pensei que era alguém querendo pregar uma peça, mas lembrei que só tava eu e muitas outras poucas pessoas. Enfim sustos a parte, no outro dia tivemos que refazer as pinturas que ficaram bem melhor, só de lembrar do susto, e ao perceber que se errasse outra vez teríamos que ficar mais uma vez durante a noite pra concluir o prazo.

Um dia quando estávamos na função de fazer instrumento, a coordenadora, Zeze de Xangô, convidou os professores pra ir a algum lugar, eu também fui na barca, e essa viagem mudou minha vida, foi quando tive ainda bem novo o contato com o candomblé, na casa recem inaugurada, da mãe Venina d'Ogum, era um dia das mãe de 2005, era uma festinha comemorativa e a partir dali minha vida mudou, posso fácilmente dizer que o candomblé salvou minha vida, me deu outra perspectiva.

principalmente a nossa liderança guerreira, dona Zeze de Xangô, nos possibilitou o mergulho na minha ancestralidade, as perguntas que tinha sobre o mundo e o que me cercava pode ter mais sentido, logo estava totalmente mergulhado na vivencia do terreiro e o resgate aconteci de forma fluida, tive como grande mestre, o ogam mais velho até hoje em terra maranhense, o Tio Luis do Ogum, proveniente do Rio de Janeiro, onde foi Iniciado, veio pro maranhão e fez escola, ensinando os ritmos do candomblé pra diversas pessoas, teve a honra de viver muito próximo dele por muito tempo, e logo esta confirmado sentindo a importância que eu jovem preto nunca tinha sentido na vida, o poder da representatividade do sacerdócio para uma uma pessoa que como eu na minha comunidade estava fadado a ter uma vida curta, entregue as mais diversas vulnerabilidades.

O projeto, que pra alem de confeccionar instrumentos, ensinava a toca-los, e fomos convidados pra fazer o espetáculo de no lançamento do grande projeto A cor da cultura em Brasilia, onde apresentamos um espetáculo lindo sobre os Orixás, ali diante de todos os atores globais NEGROS, fizemos todos se emocionarem com uma linda apresentação, ali pude conhecer muitas personalidades negras, ao passo que fazíamos, todos os jovens do projeto a primeira viagem pra fora do Maranhão, foram várias viagens articuladas pelo gigante projeto Sonho dos Erês, que tinha como linha de frente Carmen Behofort, liderado por dona Zezé de Xangô, na época coordenadora do centro de cultura negra do Maranhão. Passei tempos acompanhando os professores nas atividades extras do curso, assim como outros alunos, e quando ouve a mudança na coordenação geral do Centro de Cultura Negra do Maranhão, mudou também a coordenação do projeto, e ao abrir uma vaga de professor, pois Rudevaldo por força maior teve que se afastar, tive a honra de assumir a direção da turma. Me tornei o mais novo professor de confecção de instrumentos do CCN.

Uma pessoa de muita importância na minha vida, foi Presinha, minha mãe que o CCN deu, me cuidava como tal, e cuidava ra que não perdesse uma aula na escola renomada na qual ganhei bolsa integral como atleta marcial, lutava pela escola e estudava como recompensa.

De certo todo o esforço pra ajudar no processo de construção, preparação final e tudo mais, me deu uma experiência a mais diante da turma, o que mais tarde me trouxe ganhos imensuráveis pra minha vida, de fato eu adorava na época, por mais que fosse novo na altura da juventude, fui o mais novo instrutor do projeto, o que foi um desafio grande, que era um moleque leva, por apelido (Pânico) kkkkk era hiperativo, e gostava de aprender muitas coisas ao mesmo tempo.

Hoje vivo a tradição ancestral no meu dia a dia, considerado por muitos como Pai (Baba) efeito da hierarquia organizacional do candonblé JEJENAGÔ, e tenho a conecção de instrumento como profissão e cuido da mesma como quem coisa de um pedaço da minha história familiar, pra honrar, as mulheres pretas, a começar pela minhas mães, Joana Helena, Mãe Zezé de Xangô que me apresentou o candonble e a minha Zeladora maravilhosa, Mae Venina e mãe Telma, Minha mãe pretinha e tantas outras que não teria palavra no mundo pra destacar a importância, o conhecimento acumulado nas no esporte, devolvi para meus pares da comunidades onde nasci e vivi, na tradição do tambor pelas andanças na Amazonia e mata Atlantica, e no campo tecnológico, baseado nas ideias de Exu, todo o suporte que tenho prestado aos meus iguais em diversas formas como na criação da Rádio exu, com a ajuda do hoje ancestral Awo Taata Artur Leandro, que acreditou e deu forma pra minhas revolucionárias missões de hacker, preto, macumbeiro e fazedor de tambores!

Mil Onilètó

Um pouco da minha história com a tecnológica do tambor e ancestralidade na escola CENTRO DE CULTURA NEGRA DO MARANHÃO.

20.06.2020

Mulherismo Africana, Saúde mental e Centralidade Africana - Yohana Rosa Kaiadi diá Angorô

clouds

Mulherismo Afrikana, Saúde Mental e Centralidade Africana

Yohana Rosa''Kaiadi diá Angorô''

A CUP (Centro Unificado Panafrikanista), é uma organização comunitária composta por pessoas afrikanas (do continente e da diáspora brasileira), de orientação Kilombista e Garveyista, a qual acreditamos que a nossa emancipação, das comunidades afrikanas se dá pela libertação econômica, política, epistemológica, psíquica e espiritual. Nossas movimentações baseiam-se por trocas culturais, linguísticas, ancestrais, e regionais, alimentando a consciência política e existencial de ser afrikana/o. Em torno de raízes que nos mantém, o Mulherismo Afrikana é um caminho que nos alicerça em ser e compreender a coletividade preta, cunhado pela afro-estadunidense profª Clenora Weems, a qual aflora olhares e dinâmicas que nos emancipa à partir do matriarkado, matripotência e matrifocalidade afrikana.

No atual cenário de pandemia, houve a necessidade do isolamento social de algumas pessoas, na compreensão de que existe uma base social e de que o povo afrikano e indígena se encontra mantendo a engrenagem capitalista-racial, não sendo possível a todas/os paralisarem por conta dessa doença programada e sendo os/as mais afetados/as em diversos aspectos. Nisso, é possível perceber que o afastamento social evidenciou as mazelas psicológicas das afrikanas/os, como a ansiedade, a depressão, o esgotamento, a “síndrome de perseguição” (WHITE, 1970) e o medo constante de ser a próxima vítima do sistema genocida.

Estive presente nesta data (04/06) em uma reunião com professores/as e estudantes da UNILAB (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) para a decisão do retorno do semestre remoto proposto pelo MEC a alguns dias, causando um tempestuoso debate, tendo como conclusão de que é inviável o nosso retorno por diversos fatores, mas o fator principal, é a sanidade psíquica das/os estudantes e professoras/es pretas/os. Houve uma fala de uma irmã afrikana que enfatizou como estamos desmantelados economicamente, politicamente e socialmente, não nos preocupando com a mães, a maternidade e a infância de nossas crianças; a voz daquela mulher afrikana foi o grito de desespero perante as instituições que não pretendem nos representar, ao silêncio imposto e o desmanche de formas existenciais e revolucionárias constituída por nós afrikanas/os (continentais e diaspóricos). Cabe aqui, frisar que devemos estar atentas/os para as articulações racistas e genocidas programas pela estrutura capitalista-racial e federal, que aliena parte de nossa comunidade, não permite que respiramos, e suga e faz-nos opor uma/um contra as outras/os, tentando secularmente destruir nossas coletividades afrikanas.

Dessa maneira, faz me ser e crer que a “centralidade africana” (ASANTE, 2003) nos torna agentes dos caminhos da nossa história e que a perspectiva de raça sendo um demarcador social marginalizado alimenta a estrutura capitalista para manter o bem estar social de brankkkos, nisso, só haverá o “fim” do racismo quando o capitalismo-racial sucumbir. A centralidade racial amplia a consciência em relação às resistências, clivagens e quem somos dentro das sociedades, no caso, a brasileira, reivindicar-se enquanto afrikanas/nos, coletividades e sujeitas/os pretas/os torna-nos potente para resgatarmos e aprendermos com ensinamentos do passado e estruturar um presente que seja digno para a nossa existência afrikana em qualquer lugar que estejamos.

Como mulher afrikana indago, como estamos nos movimentando para compreender e reerguer o nosso povo? Continuaremos alimentando a estrutura que nos elimina e impede de sermos? Como as afrikanas/os e pretas/os das favelas, periferias, estão se akilombando? E a nossa maternidade? A institucionalização de nossas pautas será sempre modificada de acordo com os interesses estruturais/federais/raciais, precisamos criar formas de resistência para além das epistemológicas, acreditando que também seja uma forma de combate ao racismo e reerguer o nosso povo, que nossa forma de (re) existência e ancestralidade seja o nosso ar.

Nguzo!

Yohana Rosa

Kaiadi diá Angorô

  • Membra do Centro Unificado Panafrikanista (C.U.P)

  • Graduanda em Licenciatura Plena em Sociologia na Unilab/Malês

  • Mestranda no Pós-Afro/UFBA

afropop

Vamos acabar com esse tédio da quarentena? Separei alguns afropops de 10 países africanos, pra cada país coloquei 3 artistas diferentes! É um total de 30 músicas. Vamos tentar nos divertir! Esse momento dificil vai passar <3 Tem algum afropop que você gosta e queria recomendar? Deixa o link e o país aqui nos comentários!

🇺🇬 Uganda

Sheebah - Nkwatako – youtube.com/watch?v=FBl2bEerZlw Daddy Andre – Sikikukweeka - youtube.com/watch?v=67MJyqSw6S4 Munakampala - Ykee Benda - youtube.com/watch?v=uXNmK2eAvaA

🇬🇦 Gabão

Tina - #Balango - youtube.com/watch?v=ir_q8LoYZ5Q Shan'L – TCHIZAMBENGUE - youtube.com/watch?v=LfFvIIOPpxg Latchow - Le Bangando - youtube.com/watch?v=Kd_gjT7xoXY

🇹🇿 Tanzânia

Rayvanny - Natafuta kiki - youtube.com/watch?v=mOC3n5TlQH4 Diamond Platnumz – Jeje - youtube.com/watch?v=g5rFro4XdZ0 Nandy – Nagusagusa - youtube.com/watch?v=A-l7pWc5z5o

🇳🇬 Nigéria

Yemi Alade – Home - youtube.com/watch?v=BxB30v445_8 Chidinma - Fallen in Love - youtube.com/watch?v=Ws6xCV3En_M Flavour - Time to Party (feat. Diamond Platnumz) - youtube.com/watch?v=BFUxr_dkqxw

🇬🇼 Guiné-Bissau

Ammy Injai - Pirmiti Son - youtube.com/watch?v=Co66HwvuDxo Eric Daro - Boca I Di Bô Ft. WJ Jamil - youtube.com/watch?v=7Q29VqGKNzw As One - Dan Bu Number - youtube.com/watch?v=mtRuzEUQji4

🇰🇪 Quênia

Sauti Sol – Suzanna - youtube.com/watch?v=mFBJtuQ1Llc Willy Paul x Nadia Mukami – Nikune - youtube.com/watch?v=q62U9um1DGg Matata – Kata - youtube.com/watch?v=s331bxKlTqQ

🇬🇭 Gana

MzVee ft Yemi Alade - Come and See My Moda - youtube.com/watch?v=OInajwCmEnA Bisa Kdei – Asew - youtube.com/watch?v=acatPD-Vt3Q Kuami Eugene ft KiDi – Ohemaa - youtube.com/watch?v=_UE5729fnn4

🇳🇦 Namíbia

Sally Boss Madam – Natural - youtube.com/watch?v=GOj1tVN8ZmE PDK – Ochikutu - youtube.com/watch?v=bxlMgsBAZAU Gazza – Chelete - youtube.com/watch?v=GDRamXqPlXo

🇹🇬 Togo

ALMOK - Molo molo - youtube.com/watch?v=7_i7mytYGb4 Etane ft. Kasaré – Gomené - youtube.com/watch?v=nn5rZ_Uvb3M Toofan - TERÉ TERÉ - youtube.com/watch?v=O9P1g9q1JtM

🇧🇫 Burkina Faso

Hawa Boussim – Dolada - youtube.com/watch?v=haa74rWvjyU FLEUR – Kelemambe - youtube.com/watch?v=d7t5ex3YIBQ TANYA - Ma bague d'abord - youtube.com/watch?v=lLwzvQ3lGi4

Créditos da pesquisa: Yuri Crisóstomo

Instalando o Arch Linux na querentena.

Instalando o Arch Linux na quarentena.

Essa ideia surge como uma forma de potencializar o aprendizado sobre a funcionalidade do sistema gnu linux, mas se distanciando um pouco do universo da mesmice. Por isso escolhemos depois de muita pesquisa e fuçando a net encontrei uma distro interessantemente conhecida no mundo dos que gostam de tramitar num nível mais hard core dessa possibilidade Gnu Linux. Em sem mais delongas vamos ao processo de documentação dessa instalação, que como nos agrada será feita a maior parte do tempo em linhas de comandos, pois, se é pra tomar de conta do sistema, vamos começar a fazer pelo nosso computador, linhas de comandos são ordem dadas ao computador, nada melhor que dominar essa linguagem de códigos e instruções no processo de instalação dessa distribuição famosa pelo seu poder de personalização.

Para realizar essa instalação vamos usar uma maquina virtual, aquela que ja facilita o acesso a diversas pessoas, na corrente vamos falar, inclusive de uma possibilidade mais "Livre", se o papo é soberania digital, precisamos nos apropriar dessas possibilidade que mais nos distancia da experiências proto coloniais.

Antes de mais nada precisamos instalar a dita maquina virtual para possibilitar instalar diversos sistemas operacionais em sua maquina. Supondo que esse trampo ja tenha sido realizado previamente, para nos concentrarmos na instalação do Sistema Operacional na maquina pré configurada para 50G. Um tamanho considerável próximo da realidade dos nossos dia a dia tecnológico. Tendo também uma imagem .iso desejada do Arch Linux, daremos o início do processo. Paciência e mão as obras!

Tudo pronto iniciaremos o processo entrando em modo "root", abrindo um novo mundo na tela de seu computador. Daqui já da pra se sentir um pouco mais livre as amaras de grandes empresas e rede de negócio que tem em mente lucrar muito com a vendas de suas ferramentas que deveriam ser entregue grátis, Tirando de nossas vistas as possibilidades livre de acesso a internet, sem ter nossos dados capturados para fins económicos dos fabricantes dessas rede e ferramentas de comunicação popular.

Voltando, entrando com root, me leva a um acesso com certos privilégios, usarei essa palavra aqui para exemplificar possibilidade de realizar uma tarefa no nível de administrador, podendo instalar e apagar coisas profundas do sistema. ao abrir o terminal o primeiro comando para iniciar nosso trabalho, é:

loadkeys br-abnt2

Assim o sistema entendera que vc usará o teclado de acordo com as normas da abnt2 e seu teclado estara baseado na lingua portuguesa do Brasil.

O proximo passo é setar a data e hora com o comando:

timedatactl set-ntp true

Servira para determinar a o gestor de tempo e data do sistema.

Próximo comando é para criar as partições, na minha opinião o trabalho mais complicado será essa criação. É muito detalhes e exige muita paciência e atenção, uma só virgula fora do lugar pode comprometer todo o trabalho. Aqui um dos motivos que as pessoas categorizam como difícil instalação. O sistema parte do principio que devemos saber como criar as partições de acordo com nossas necessidades. Nesse momento usarei a comparação de uma planta de uma casa, vc calcula onde ficara cada cômodo dentro do espaço de possibilidades da casa.

Pois bem, nesse trabalho necessitamos criar quarto cômodos nesse espaço da casa, que nesse caso será no final comparado ao tamanho do hd. Para esse parte precisamos de 4 espaços, SDA1 para o boot, com um tamanho de 1G, e SDA2 para nossa / ou seja nossa raiz, SDA3 serÁ para a swap, a SDA4 será nossa home.

Para esse trabalho suponhamos que esteja usando comando:

cfdisk /dev/sda

Criada nossas partições, precisamos formatar todas que foram criadas, os comandos para isso são:

mkfs.ext4 /dev/sda1

para montar a partição de BOOT

mkfs.ext4 /dev/sda2

paa formatar a partição que abrigará o raiz.

mkfs.ext4 /dev/sda4

para formatar a partição home.

mkswap /dev/sda3

Para montar a partição de swap.

swapon /dev/sda3

Para iniciar o swap.

Tendo feito todas as formatações, vamos começar a montar tudas essas seguindo sua ordem lógica. Começando de RAIZ, alusão ideal para entender que ela deve ser a primeira a ser montada. Não existe arvore sem raiz. Montaremos as partições dentro da pasta /mnt, com os comandos:

mount /dev/sda1 /mnt

Para montar a /dev/sda1 dentro da pasta /mnt.

mount /dev/sda2 /mnt

para montar a /dev/sda2 dentro de /mnt, vamos entender essa pasta como sendo o lote onde será construida nossa sistema.

Digamos que a /dev/sda1, seja a estrada de acesso, e que abre o caminho para entrar nesse espaço.

com os comando:

mount /dev/sda2 dentro da pasta /mnt, comprendendo aqui que esse pasta sda2 seja a planta central da casa, sendo o espaço compreendido onde será levantadas as paredes externas da casa, o divisor de dentro e fora.

Carta aos pretos nas Áfricas

Carta aos irmãos, Pais pretos nas Áfricas

Minhas vivências e experiências me fizeram grandes e tão pequenos ao mesmo tempo. Compreendo as várias conversas com meu mestre, vejo todas suas falas ganharem corpos. Caminhei bastante até aqui, quem me conhece sabe o tanto que me doei pra chegar nesse nível de construção. Todas as dores me prepararam pra mais difícil tarefa do homem preto, ser pai, Pra obter êxito nessa função, alcançamos os maiores e mais pesados tipos de dores. Nosso preparo psicológico e ancestral é cobrado a todo plano, talvez quando passamos a ser escolhido para a continuidade da tradição e da vida dos africanos, quer seja na diáspora e continente, é com a paternidade que compreendemos o peso do racismo, e o quanto estamos despreparados e distante um dos outros, dai venho a concordar que o problema do negro é o problema do homem negro.

A masculinidade negra precisa ser muito trabalhada, porem somos muitos distantes uns dos outros, ficando fácil pra alienação parental por exemplo, no atingir com força total, nos levando a reproduzir diversas mazelas. Mazelas essas que precisamos nos livras, se percebermos todas essas, são influenciadas pela branquitude, pelo modos operantes dessas forças estruturais construídas pelos supremacistas, e seu principal objetivo é nos apregoar a mira na testa, colocando os homens pretos no foco de qualquer tipo de arma destruidora, viramos alvos facilmente, por que nos condicionaram a atacar, e se atacamos primeiro explanam nossa localização, como diz na letra de rap.

Em suma, falhamos muito nesse papel de pai, falhamos com nossas companheiras, com nosso povo. porem afirmo fortemente que, a estrutura nos leva a cada vez mais ficar próximos desse erro. E como povo cabe a todos nos buscarmos essa localidade psicológica tão lembrada pelas ideias da afrocentricidade internacional de Molefi. Acredito que o Pan-africanismo nacionalista negro, é o caminho pra elucidar nossa caminhada, mesmo cansados, desistabilizados emocionalmente e com nosso psicológico abalado, precisamos saber nosso lugar de africanos nessa babilónia, Espero muito que nesse momento de reflexão e guerra silenciosa que estamos vivendo, nós homens pretos, passemos a pensar cada vez mais na importância de discutir género através da masculinidade negra e que aprendemos e nos permitimos cuidar por nossas irmãs pretas, que estejam sintonizada na função do único caminho para o povo preto, o AUTOCUIDADO, que estamos por nossa própria conta, já estamos sabendo faz tempo, mesmo que muitas das vezes desenvolvemos síndromes que fazem amar quem nos oprime, esta mais que na hora de nos olharmos nos olhos e perceber que nos homens negros estamos acometidos pelas doenças coloniais e precisamos, nos juntar pra falar sobre isso.

Eu sinto as dores e a dificuldade de ser pai, homem preto, e um sonhador, nessa babilônia embranquecida chamada brasil. sinto a distância geográfica e psicológica no exercício de ser pai, mesmo nem se comparando com a dificuldade de ser mãe mulher negra, coisa que nós nunca saberemos de perto o que é. Mas como povo podemos está cada vez mais consciente que se um cai todos sentiram. estamos umbilicalmente ligados, homem preto e mulher preta. Para compreender todas as partes, precisamos tratar de nossas especificidade, apontando a coletividade tão essencial continuarmos vivos e sobrevivendo!

Não precisamos nos sentir tão só nessa função, vamos falar sobre isso, Masculinidade preta é uma reflexão ação necessária demais pra se minimizado.

Máximo respeito a todas as Irmãs que fortalecem nesse entendimento rico e necessário

Mil Onilètó

A dependencia das Tecnológias

A história do território tecnológico e o seu uso por parte do povo.

É quase impossível pensar um dia se quer, sem o uso massivo de diversas ferramentas de comunicação, que foram criadas com a ideias de diminuir a distância e otimizar a comunicação entre pessoas, ou mesmo nos manter informados ou realizar tarefas essenciais para nosso dia a dia como pagar uma conta, responder um email, marcar uma viagem, compartilhas segredos e confissões entre amigos e muitos outras finalidades em nosso exercício de nos comunicar. Porem uma coisa que não esta diretamente ligada a esse uso das ferramentas tecnológicas digitais, principalmente nos dias de hoje, e a reflexão de onde vem essas tecnologias que usamos indescritivelmente de forma por vez viciosas. Quem não se sente incluído ao usar uma rede social como facebook, instagran, whatszapp, E notório que ficamos muito mais distante de muitas pessoas que amamos se não nos furtamos a usar tais ferramentas. Logo Aqui nos ateremos aos caracter étnico das tecnologias, ao passo que analisaremos o uso das tecnologias por pessoas negras e indigenas de povos e comunidades tradicionais que historicamente tem sido vítimas de processo coloniais e escravistas, e como a massificação do uso desenfreado dessas podem fortalecer o processo de racismo ao passo que tendenciosamente direcionadas seus usuários não somente ao embrutecimento como a danos psicológicos que podem seus usos em largas escalas diminuir discernimento relacionados a compreensão de suas condições como afastar o povo de suas práticas tradicionais e culturais, servindo assim a grande jogada capitalista que alimenta a coleta de dados e informações de forma unilateral, similar aos processo de colonização e escravidão.

A Truculenta História da Internet

Muitos conceitos e práticas inerente aos universo tecnológico e usos das ferramentas, precisam ser analisados, o que facilitara nossa compreensão da profundidade e seriedade das questões relacionadas esse uso. Logo, precisamos fazer um viagem histórica sobre a origem e história da internet, passando pelos seus conflituosos, caminhos de guerra empresarial, que resultou na internet que temos hoje, sem isso, impossível ter um compreensão dessa internet, que hoje nos permite fazer coisas tão magnifica quanto mágica. Durante a exaustiva guerra fria travada entre Estados Unidos da America e antiga união soviética, o conflito antagônico, tanto político como ideológico, o projeto ARPANET, criada pela ARPA, sigla do inglês (Advanced Research Projects Agency), criada com a ideia de proteger os dados e informações sigilosas em posse do EUA, que temiam ataques da União Soviética, que poderia trazer esses dados a tona. Apesar da densa potencia bélica envolvida na criação diversos professores universitários a exemplo de J. C. R. Licklider, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT),professores universitários (como Ken King), estudantes (como Vint Cerf), empresas de tecnologia (como a IBM) e alguns políticos norte-americanos (como Al Gore) que desmitifica a ideia puramente militar na criação da internet. ''Sandroni, Araújo Gabriela (1 de janeiro de 2015)''. Mostrando assim o desejo do estado já tomar posso dessa grande ferramenta para salvaguarda dados, mostrando a importância dada a informação desde então. As universidades da época, meio que transformaran-se em testadores dessa criação e em 29 de Outubro de 1969 ocorreu o que podemos chamar de o primeiro e-mail da história, mesmo o computador que recebia a informação em texto, ''LOGIN'', porem de acordo com o Sandroni, o computador parou de funcionar na letra ''o'' da palavra, assim o desejo do professor Leonard Kleinrock da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Tal guerra em meio aos anos 70 tal guerra teria se dissipado, sem o tal ataque tendo acontecido, ainda assim teria sido criado a ferramenta que mudaria o rumo do mundo.

A ideia de que a internet surge em um cenário e guerra não pode fugir de nossa percepção, tendo em vista a importância das tecnologias como ferramenta de defesa, mostrando a importância da comunicação diante de um processo de disputa ideológica e política, e que a informação é um bem importante para um nação, que para as grandes potências, ter soberania desse meio é algo que merece total atenção em relação a proteção.

                           ''O final da Guerra fria abalou o vigor da vertente militar do estudos Estratégicos durante os anos 90, até efetivamente 11 se setembro de 2001. 
                             Com efeito,  a administração Clinton Interiorizou o espirito de ''paz perpétua'' da época e começou a dar especial atenção à competitividade 
                             económica internacional face aos novos e potenciais mercados emergentes, por exemplo direcionando prioritariamente aCia no sentido da 
                             espionagem e contra espionagem económica (GRAÇA, 2010, P, 260- 261, 300-302)''

A perspectiva de guerra se repete no meio digital, onde a otimização dessas ferramentas se dá tal qual um disputa anteriormente travada entre EUA e antiga UNIÃO SOVIÉTICA, e tendo essa disputa esfriado os estudo puderam de forma um tanto mais livre, sendo convidadas universidades que realizassem estudos na áreas de DEFESA fazer uso da ferramenta ARPANET. depois do acesso volumoso de estudantes e pessoas afins, o projeto começou enfrentar um problema relacionado a capacidade de suportar acessos que cresceram grandiosamente o projeto se dividiu em dois, o MILNET com uso mais militar e o ARPANET que aglutinava estudante e amigos desses estudantes, todos juntando esforços para aprimorar a ferramenta. Importante ressaltar a importante contribuição dos jovens que faziam parta da ideias de contracultura, entusiastas do compartilhamento livre de informação e conhecimento,

A primeira dela é a inclusão digital, que compreende-se pela tentativa de garantir que todos o indivíduos terem acesso a comunicação através de ferramentas digitais e a garantia de acesso a informações as tão famosas (TICS).

Incluão Digital

Para alem de qualquer questão histórica, envolta no mundo da internet, uma coisa que tem sido foco de muitos estudos e teorias sãos as (TICS), tecnologias de informação e comunicação, e seu acesso por todas as pessoas, pensando nisso o debate da inclusão digital gira em torno da tentativa de garantir o acesso para todas as pessoas, pensando romper as barreiras da sociais que também assolam os meios digitais.

Mais do que nunca a apropriação de tecnologias livres, autónomas se faz necessário para nós africanos diaspórico e continentais. Nessa crise de saúde, em que a única presença se dá por meios de tecnologias digitais, as tentativas de fazer valer nosso direito de se comunicar, tem gerado grandes furtunas a quem historicamente nos odeia e mesmo assim lucra grandiosamente com nossas lives, textões e bate papos que deveriam, muitos deles, ficar entre nós, esta sendo armazenados em bancos de dados, a disposição de ser negociado com fins de espionagens a troco de que? Otimizar a supremacia branca e manter os privilégios diante de nossas necessidades básicas.

Se formos usar um computador, por padrão nos empurrão um sistema WINDOWS, para bate papo, Whatsapp, nossos amigos estão nos facebook, nossas live's pelo instagran e facebook, todos essas três ultimas do mesmo dono. No computador que você compra por padrão injusto, vem inseguro, como estratégia de usarmos em breve os anti-vírus que não protege dos vírus criados pelo mesmo criador do sistema operacional que controla todo seu computador e que o anti-vírus criado por esse também não tem capacidade de proteger.

O racismo é altamente mutável, e no campo tecnológico fez um grande espaço de dominação, sendo a internet facilmente comparável com um grande latifúndio, com proprietários poucos para muita terra, e se, o povo tiver a necessidade de usar, o fará de forma que gere muito lucro para esses grandes empresários, representantes da supremacia branca mundial.

GAFAM é o acrônimo de gigantes da Web, Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, essas grandes empresas são as 5 grandes potência do EUA, reproduzem de forma inusitada as grandes mazelas que assolavam anteriormente os territórios. Um fato histórico, chamado guerra dos navegadores marcou o que hoje conhecemos como internet, esses acontecimentos de guerra entre os privilegiados dos meios da tecnologias, foi marcados por atropelos em busca da tomada territorial desse meio, que hoje se faz completamente necessário nas vidas das pessoas, pessoas essas que carentes de diversos direitos, quando fazem uso de tais tecnologias, fazem de um forma superficiais, uma vez que estamos a muito tempo sendo influenciados a termos nossas informações usurpadas, afinal de conta desde os processos coloniais, os escravistas focaram em nossas informações, nossos conhecimento, nossas práticas ancestrais.

Apropriação tecnológica

Diante dessas tecnologias que foram historicamente empurradas goela a baixo das pessoas, todas elas, que funcionam de forma estratégicas para gerar capital para seus donos, possuem adversárias livres, que possibilitam a utilização de uma boa parcela desse território, apurando a diferença entre as tecnologias que podemos chamar de ''proprietárias'', para exemplificar que são de códigos fechados e que precisam ser pagas para serem usadas, e a ''livres'', sendo livre usada aqui para denotar as que que não precisam ser pagas para usar e possuem uma filosofia bastante parecida coma s lutas por territórios travadas pelos povos e comunidades tradicionais por seus territórios.

Importante ressaltar que diante das tecnologias mais próximas e possíveis dos povos para garantias dos seus direitos enquanto usam essas tais tecnologias como território minado, e a compreensão desses é muito importante para alcançar a tal liberdade. Essa diferença está baseada em princípios. O universo que faz pareia ao mundo proprietário e capitalista em torno do windows, e os software Gnu-Linux, porem mesmo diante desse universo livre, existem rachas e brigas que filosoficamente nos embaralha a compreensão. Essa questões filosóficas é o que permite determinar se um programa é categorizado como software livre ou não, mas, ainda existe os programas chamados se código aberto ou do inglês, Open Source, porem esses não compartilham dos ideais filosóficos dos softwares livres, onde a liberdade e o senso de comunidades dos usuários são respeitados. Significa que o usuário tem total liberdade para executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software. Claro que para as grandes empresas GAFAM, essa liberdade atrapalha bastante os ganhos com os usos emburrecidos de suas tecnologias, significando inclusive que as vulnerabilidades referente aos dados que os GAFEM pensavam em sequestrar e comercializar nas suas ações de políticas de dados, passam a serem massivamente protegidas pelos usuários dos software livre, que coletivamente trabalham os códigos de forma continuada, resolvendo as vulnerabilidades em suas redes colaborativas assim que elas aparecem, ou quando são reportadas até por usuários mais simplórios dos software livres, uma vez que todos os usuários contribuem com a segurança do sistema. Importante ressaltar que a a liberdade aqui citada inclui o uso do software livre de forma comercial.

Imagina o estrago que as tecnologias não livres, fazem em nossas cabeças e nossas comunidades, levando em conta que ao usarmos tais tecnologias, deixamos totalmente expostos ao olhos de nossos principais algozes, todas as nossas conversas, estratégias, gostos, necessidades. E quando não conseguimos ao menos aprender a ler, de forma estrutural termos educação tecnológica plausível para usarmos de forma crítica, ficamos completamente nas mão das empresas que lucram construindo perfis de compras com os nossos dados que são vendidos por empresas como o facebook, instagram ou qualquer um das outras gigantes que compõem o GAFAM quando clicamos em simples produtos, ou quando fazemos uma pesquisa em um navegador, é de práxis aparecer os produtos de forma automática em nossas redes.

Ainda mais preocupante é quando nossas comunicações comunitárias são proibidas, perseguidas e criminalizadas, a exemplo das rádios comunitárias fechadas e perseguidas enquanto nossas comunicações são influenciadas de alguma forma meio que invisível por essas empresas nefastas.

Eu sempre que posso me afasto dessas redes pra manter minha sanidade filosófica e tecnológica, mais ao compreender que muitos dos meus ainda estão na mão dessas empresas volto pra fazer meu papel nessa batalha de contra poder, agindo com a apropriação tecnológica para tentar compartilhar técnicas e ideias sobre uso de tecnologias e comunicações livres comunitárias.

Precisamos nos basear por modelos filosóficos que me deixe próximo ou em total liberdade, seguindo a linha da quilombagem e quilombismo, sendo elas vertentes importantes de pan-africanismo em modelo brasileiro, Os quilombos não negociavam com os colonizadores, não faziam uso sem responsabilidade com a liberdade de nenhuma propriedade ou ferramenta, retomando território e reafirmando valores civilizatórios africanos e indigenas da forma mais coletiva possível. Segundo esse exemplo histórico de luta por territórios, precisamos antes de mais nada reafirmar nossa localidade psicológica e filosófica.

Os desafíos linguisticos da linguagem na academia (universidade)

Incontáveis são os problemas que enfrentaremos na universidade, e quando digo nós, me refiro aos povos dos quais as estruturas da universidade, que nada de universal tem, pensaram em nunca atender. Dai começa nosso problema, esse não foi um lugar e espaço pensado para as minorias, povos, comunidades carentes, negros, indígenas, quilombolas e etc. Desde sua concepção, a academia exerce um prolífero papel de validar as verdades de um povo, justificar atos, e defender a unhas e dentes privilégios dos brancos, ressaltando o lugar de superioridades sobre todos as outras etnias. Diante disso não dá pra pensar em uma mazela do mundo que não tenha sido duramente defendida pelas teorias académicas.

Sem sobra de duvidas, a universidade terce a verdade do mundo, o ritmo de crescimento, os ideais de escravidão e coloca a civilização de todos os grupos étnicos diferente dos caucasianos como desumanos, incivilizados. Frantz Fannon, no seu preciso livro, pele preta mascara banca, nos faz entender como a partir da linguagem se reproduz esses pretensos caminhos de grandezas, ao nos mostrar como o negro artilhando, tenta a todo custo falar o Frances, deixando de lado seus costumes linguisticos autóctones, tentando com todas as forças ser assimilado no mundo dos brancos. Franz Fannon Afirma que: (...) ''Falar uma lingua é assumir um mundo, uma cultura''(...) Não precisamos ir longe para perceber as raizes da desigualdade linguistica esta fortemente enraizada nos nossos dias. A universidade tenta nos reprogramar, limpar primeiramente os referenciais psicológicos. Apagar de nossas cabeças a identidade geográfica de nossa matriz é necessário, para antes de mais nada, me apregoar qualquer nacionalidade, qualquer nação que eu deva amar, pra consumar a desapropriação do meu ser. Depois de apagar o vinculo com meu lugar, é muito mais fácil me dominar, apagando meu referencial, não darei trabalho buscando em constante voltar para meu lugar, viro somente, nada mais que uma mão de obra da plantetion.

universidade, que hoje juramos ocupar e empretecer, tem na sua base, bem firmado por sinal, a localização psicológica eurocêntrica, de forma que em nenhum momento aceitará, qualquer outra base de conhecimento que não seja provinda de seu seio geográfico. Não existirá negociação tranquila, e qualquer tentativa de mostrar o contrário, o seio que, muito bem resolvido de suas ideias, não titubearam de apregoar bem na testa dos que ousarem, um identidade duvidosa de especialista. Acredito que todo bom panafricanisnas nacionalista negro que se preze, em algum momento já foi tachado de essêncialista, o que me leva a querer entender o peso desse termo enquanto seu significado que vem de essência. E sendo a essência mais afirmada nos discursos dos homem brancos que criaram diversas teorias que facilmente nos permitiria chama-los de essêncialistas. a eugenia é um exemplo clássico de essencialismo. e se o que estiver sendo dialogado, não fr a eugenia, esse termo não tem nenhuma valia para apontar africanistas africanologos o exemplo não serve para nós pretos e negros.

Para analisarmos o peso da linguagem, trago aqui o exemplo do processo de colonização e escravização de pessoas africanas no continente americano. Quando, durante o processo escravocrata, separavam pessoas que falavam a mesma língua, afim de dificultar as junções de negros revoltados e assim não facilitar tomadas de fazendas e mortes dos senhores de escravos, que diga-se de passagem era algo bastante corriqueiro no período escravocrata. Muitos foram os navios tomados até mesmo em grande mares onde aconteciam travessias dos grandes cargueiros com negros de diversas etnias e povos, obrigando assim retornarem muitos navios. Quando não eram tomados no meio do mar em viagem, fazendas e capitanias hereditárias inteiras eram tomadas, assim que os navios desembarcaram.

Pensando nas possíveis revoltas que eram de se esperar quando se trouxeram diversos povos, reinados e por muitos até rainhas. criaram um processo chamado pigdimização, onde faziam esse embaralhamento dos escravizados, afim de dificultar a comunicação. Os primeiros escravizados a chegarem ao brasil por exemplo, foram os arrancados das costa de angola. deixando profundas contribuições em nossas forma de comunicar e falar, diversas são as palavras que estão constantemente sendo faladas no nosso vocabulário. logo depois foram trazidos por escravizados da parte sudoeste africana. disseminado fortemente pelas práticas religiosas tradicionais africanas no Brasil, tem sido de forte influencia no vocabulário e valores filosóficos dos africanos diaspórico no Brasil.

apropriação tecnológica e quilombismo digital

RESUMO

A ideia inicial desse trabalho é proposta critica a cerca dos usos das tecnologias de informações pelos povos e comunidades tradicionais afrobrasileira e indigenas, apresentando um novo paradigma acunhados inicialmente nas realidades dos quilombos brasileiros, sendo Zumbi dos Palmares baluartes e criador desse modo de luta territorial, trazendo para universo digital a reflexão do impacto do racismo nesse meio, uma vez que que todas as tecnológias de comunicações obedecem um paradigma, e esses são questões de disputas históricas conhecidas como guerra dos navegadores, ao passo que trazemos como exemplo de caso os trabalhos de base da rede mocambos(1) que busca fortalecer os povos e comunidades tracionais, facilitando assim a comunicação, salvaguarda e lutas para manutenção históricas, cultural e social de povos históricamente excluidos dos campos de direitos e políticas públicas, apontando sobretudo suas raizes na a branquitude pode ser como “traços da identidade racial do branco brasileiro a partir das ideias sobre branqueamento”. Quando o Quilombismo Digital, termo acunhado pelo hacker preto, Mil Onilètó, proposto uma outra postura, refletindo diretamente nas descolonização digital ao passo que os povos entendam como essa tecnologia criada pensando nas especificidades dos povos brancos, podem impactar para proliferação do racismo e demais discriminações, apresentando aqui essa reflexão, a partir dessa crítica, um novo paradigma no que diz politica de segurança, que aqui busquei nominar quilombismo digital e apropriação tecnológica, uma vez que baseamos nosso ponto de vista a partir das ideias do garveysmo, nacionalismo negro proposto por diversos autores e métodos esses de segurança interna para pessoas pretas e indigenas. pensamos aqui o Quilombismo digital como proposta metódológia para os usos aliados ao processo de apropriação tecnológica vai ao encontro do processo de inclusão digital que tem como objetivo formar cidadãos capazes de tomar decisões e de compartilhá-las com outras pessoas, em uma dinâmica de exercício da autoria e é definida como processo dinâmico e provisório que se renova e aprimora na ação e na interação dos nós, sobre e na rede de sentidos e suas interconexões. Para isso, é necessária a apropriação crítico-reflexiva dos fenômenos sociotécnicos numa perspectiva de contextualização sociocultural, bem como o desenvolvimento e a manutenção das habilidades necessárias à interação com e através deles (TEIXEIRA, 2005, p. 25)

GAFAM ( google, apple, facebook, amazon, microsoft)

..uma verdadeira revolução racial democrática, em nossa era, só pode dar-se sob uma condição: o negro e o mulato precisam torna-se o antibranco, para encarnarem o mais puro radicalismo democrático e mostrar aos brancos o verdadeiro sentido da revolução democrática da personalidade, da sociedade e da cultura.

  • Florestan Fernandes O Negro no Mundo dos Brancos

BRANQUITUDE: De acordo com Bento, a branquitude pode ser definida como “traços da identidade racial do branco brasileiro a partir das ideias sobre branqueamento” (BENTO, 2002, p. 29).

O processo de apropriação tecnológica vai ao encontro do processo de inclusão digital que tem como objetivo formar cidadãos capazes de tomar decisões e de compartilhá-las com outras pessoas, em uma dinâmica de exercício da autoria e é definida como processo dinâmico e provisório que se renova e aprimora na ação e na interação dos nós, sobre e na rede de sentidos e suas interconexões. Para isso, é necessária a apropriação crítico-reflexiva dos fenômenos sociotécnicos numa perspectiva de contextualização sociocultural, bem como o desenvolvimento e a manutenção das habilidades necessárias à interação com e através deles (TEIXEIRA, 2005, p. 25) Fonte: A era digital: Apropriação tecnológica e inclusão digital https://www.oficinadanet.com.br/post/11209-a-era-digital-apropriacao-tecnologica-e-inclusao-digital?utm_source=lec

[[!sidebar content="""